Com efeito de Brumadinho, mineradora teve segundo trimestre consecutivo de prejuízo.

A Vale informou nesta quarta-feira (31) que registrou prejuízo de R$ 384 milhões no segundo trimestre de 2019. Assim como no trimestre anterior, resultado ainda foi influenciado pelo impacto da ruptura da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em janeiro.

Conclusão da estação de tratamento de água do córrego ferro-carvão em Brumadinho, MG — Foto: Divulgação/Vale
Conclusão da estação de tratamento de água do córrego ferro-carvão em Brumadinho, MG — Foto: Divulgação/Vale

Foi o segundo trimestre consecutivo de prejuízo da mineradora. Entre janeiro e março, a Vale reportou prejuízo de R$ 6,4 bilhões, também afetada pela tragédia de Brumadinho. No segundo trimestre do ano passado, a companhia registrou lucro de R$ 306 milhões.

Segundo a Vale, o resultado do segundo trimestre pode ser atribuído ao processo de provisões adicionais relacionadas a problemas com três barragens da empresa: para a ruptura da estrutura em Brumadinho, para o descomissionamento da barragem de Germano e para a Fundação Renova (criada depois da tragédia em Mariana para organizar a reparação aos danos causados pelo desastre).

Veja detalhes das provisões:

  • R$ 5,9 bilhões pela ruptura da barragem de Brumadinho;
  • R$ 993 milhões pelo descomissionamento da barragem de Germano;
  • R$ 1,4 bilhão para a Fundação Renova.

As provisões e despesas da companhia apenas com Brumadinho já somam R$ 23,2 bilhões. Além dos R$ 5,9 bilhões anunciados neste segundo trimestre, a companhia já havia provisionado R$ 17,3 bilhões nos primeiros três meses do ano.

“Conforme progredimos para uma reparação completa e efetiva, o segundo trimestre foi um trimestre de transição para o negócio, com o rompimento da Barragem em Brumadinho ainda impactando volumes, custos e despesas”, afirmou o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo.

Empresa faturou mais

A receita líquida da companhia foi de R$ 36 bilhões no segundo trimestre, o que significa um aumento de R$ 5 bilhões na comparação com os primeiro três meses do ano. O aumento foi beneficiado pelos maiores preços e volumes de vendas.

Nesse período, a receita aumentou em R$ 3 bilhões com a alta dos preços e R$ 828 milhões pelos maiores volumes de venda.

Dívida em queda

A Vale também informou que a dívida bruta recuou no segundo trimestre. Ela totalizou US$ 15,8 bilhões, uma queda de US$ 1,3 bilhão na comparação com os três meses anteriores.

O recuo do endividamento da companhia teve como base o pagamento de dívidas relacionadas às linhas de créditos que foram contratadas no primeiro trimestre pela companhia.

Já os investimentos subiram. No segundo trimestre, eles somaram US$ 730 milhões, acima do apurado no mesmo período do ano passado (US$ 705 milhões) e dos três primeiros meses deste ano (US$ 611 milhões).

Produção em queda

Na semana passada, a Vale informou que as vendas de minério de ferro e pelotas caíram 18,2% no segundo trimestre ante mesmo período de 2018, enquanto a produção de minério de ferro recuou 33,8% na comparação anual, em meio a paradas de minas após o desastre em Brumadinho (MG).

O volume de vendas de minério e pelotas somou 70,8 milhões de toneladas entre abril e junho. Já a produção de minério de ferro atingiu 64 milhões de toneladas.

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