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“Coqueiro que dá coco? Que queria que ele desse?”. A reposta: “Segredo de poeta, para o qual não há explicação”. O diálogo aconteceu no Rio, numa noite chuvosa, em final dos anos 30, entre Ary Barroso e um cunhado dele. O questionamento era em relação à redundante licença poética na letra de um samba que o compositor acabara de fazer ao piano. A chuva torrencial naquela noite foi uma dessas casualidades providenciais. Estivesse estiado, Ary Barroso, boêmio incorrigível, dificilmente ficaria em casa. Morava no Leme, Zona Sul carioca, a uns dez minutos de carro do Villarino, um de seus redutos preferidos.

Provavelmente entediado, Ary, depois de jantar, disse que iria compor um samba diferente. Em questão de minutos compôs a música e escreveu a letra. Ele sempre negou que tenha sido inspirado pelo discurso ufanista da ditadura de Getúlio Vargas. “Julgaram-me jacobino e explorador do patriotismo brasileiro”. Independente das críticas ao “Coqueiro que dá coco” e ao “mulato inzoneiro”, Aquarela do Brasil logo ultrapassaria as fronteiras do país e se tornaria uma das canções mais conhecidas do mundo, numa trajetória que está completando 80 anos.Ary queria o samba como música representativa do que ele avaliava ser nosso sentimento caboclo: “…Mas um sentimento caboclo superior, que extravasasse não os defeitos do malandro, vagabundo, os seus amores criminosos com a cabrocha, as suas cachaçadas. A vida, enfim, do homem sem eira nem beira, cheia de vícios e de mazelas”, esclareceu, na época, à revista Cena Muda.

Aquarela do Brasil estreou em 1939 no musical Entra na Faixa, no Teatro Recreio, interpretada pela então badalada Aracy Côrtes. Dali a poucos meses estaria num musical mais bem sucedido, Joujoux & Balangandans, no Teatro Recreio, cantada pelo tenor Cândido Botelho, um dos preferidos de Villa-Lobos. A música foi a sensação do espetáculo: “Até hoje me recordo daquela noite. O brasileiro desconhecia o próprio samba no que o samba lhe podia dar de beleza e sentimento. Quando viu que o samba sabia vestir casaca, topou a parada e agora o samba conhece a música que tem”.

Joujoux & Balangandans era o título de uma composição de Lamartine Babo, que fez muito sucesso, mas que caiu em esquecimento. O mesmo poderia ter acontecido com o samba exaltação de Ary Barroso, se não tivesse estourado nas paradas na voz do ídolo Francisco Alves. Vinte anos depois, numa entrevista ao suplemento feminino do jornal Diário de Notícias, ele falou com orgulho de Aquarela do Brasil. A modéstia nunca foi uma característica de Ary: “Fiquei conversando com minha esposa sobre a possibilidade de quebrar a cadeia de tragédias que vinham inspirando o samba. Senti em mim a sensação de um Brasil gostoso, Brasil respeitável. Fui ao piano. Custei um pouco a encontrar o ritmo, até que transportei para a pauta a batida do tamborim. Seria esse o segredo do sucesso”.

Mineiro de Ubá, Ary Barroso, (1903/1964) desde o início da década de 30, era um dos mais bem sucedidos compositores do país, seria também narrador esportivo inovador e apresentador de programa de calouros de alta audiência. O samba pomposo, com grande orquestra dirigida por Radamés Gnattali, se internacionalizaria de vez ao cair no gosto de Walt Disney, que o conheceu no Brasil. Ele visitou algumas cidades brasileiras, em 1941, como uma espécie de embaixador da política da boa vizinhança do governo de Franklin Delano Roosevelt, dos EUA, com a América Latina, durante a Segunda Guerra.

Ary conheceu Walt Disney por acaso. Uma manhã, foi à Rádio Clube do Brasil para acertar os detalhes de mais uma transmissão esportiva. Do estúdio da rádio escutou a introdução de Aquarela do Brasil. Estranhou porque naquela hora não tinha programa musical. Era o diretor da emissora mostrando música brasileira ao criador do camundongo Mickey. Disney, que já escutara Aquarela em Belém do Pará, pediu autorização a Ary para utilizá-la em seu próximo filme, que seria Saludos Amigos, de 1942. Quatro curtas que misturam personagens de carne e osso com desenhos, que se passam no Chile, Argentina, Peru e Brasil. Aquarela do Brasil e Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu), são escutadas no final do curta em que estreou o papagaio Zé Carioca.

A ampla divulgação que receberam por conta do filme, aqui chamado Alô, Amigos, levou ambas as músicas ao sucesso nos EUA, portanto, mundo afora. Tico-Tico no Fubá passou a ser conhecida como Tico-Tico, e Aquarela do Brasil, como Brazil. Um ano depois, voltou a ser utilizada em Hollywood, no filme Entre a Loira e a Morena (The Girls He Left Behind, dirigido por Busby Berkely, 1943), num dueto de Carmem Miranda e Nestor Amaral, do Bando da Lua, grupo vocal que ela levou para os Estados Unidos. Em 1985, Aquarela do Brasil deu nome ao cultuado Brazil, dirigido por Terry Gillan. A música é seu leitmotiv, pontuando o filme.

É tarefa quase impossível listar os intérpretes brasileiros de Aquarela do Brasil. Mais fácil enumerar os que não a gravaram. Nos EUA, é igualmente uma empreitada complicada. A primeira gravação é da big band do maestro Jimmy Dorsey, em 1942. Em 1947, foi gravada pelo guitarrista cigano belga Django Reinhardt & Le Quintet du Hot Club de France. Em 1948, o guitarrista americano Les Paul a gravou. Imaginava-se que fosse virar standard do jazz. Mais caiu no gosto popular. Frank Sinatra a gravou em 1958, mesmo ano em que a cantaram Bing Crosby e Rosemary Clooney. Um site americano cita 142 versões da canção.

Aquarela do Brasil é destes clássicos que continuarão a ser cantados para sempre. Mais recentemente, o grupo canadense Arcade Fire fez uma versão folk de Brazil, bastante curiosa. Ainda mais curioso é que, em meados dos anos 50, numa entrevista à revista A Cigarra, foi perguntado a Ary quais as dez melhores músicas, das muitas que tinha feito. Ele citou as que sua predileção, mas não incluiu Aquarela do Brasil entre elas.

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