Lula responde declaração de Paulo Guedes sobre o AI-5

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Na noite de segunda-feira, em entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Washington, Guedes disse que as pessoas não devem se assustar caso alguém peça um novo Ato Institucional número 5 –instrumento que marcou o endurecimento da ditadura militar no Brasil– diante da radicalização de possíveis protestos, ao mesmo tempo que também classificou a reedição da medida como “inconcebível”.

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A fala do ministro gerou reações dos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que criticaram a alusão feita por Guedes ao AI-5.

“Isso mostra a grosseria dessa gente. Essa gente tem que entender que a democracia não é um pacto de submissão, não é um pacto de silêncio”, disse Lula em entrevista ao site.

Editado em dezembro de 1968, o AI-5 fechou o Congresso Nacional e Assembleias Legislativas estaduais, eliminou garantias constitucionais individuais, como o habeas corpus, e permitiu a cassação de direitos políticos e de mandatos de quaisquer cidadãos.

Na reação a Guedes, que disse que os derrotados na eleição do ano passado devem ser responsáveis, respeitar a democracia e não convocar a população “para quebrar a rua”, Lula disse que jamais incitou quebra-quebra.

“Eu participo da política desde 1975 e vocês nunca me viram incitando quebra-quebra. Essa gente se ver o povo na rua fazendo procissão carregando vela vai dizer que a Igreja Católica está querendo botar fogo no país. O povo tem direito de se manifestar”, afirmou o petista.

Em discurso um dia após deixar a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou um ano e sete meses preso por causa de condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), Lula afirmou que a eleição do ano passado, na qual Bolsonaro se elegeu, foi “roubada” do petista Fernando Haddad, mas também afirmou que Bolsonaro foi eleito democraticamente.

O ex-presidente também fez um apelo para que os militantes de esquerda compareçam às ruas para lutar contra o que chamou de destruição do país e afirmou que é preciso seguir o exemplo do que está acontecendo no Chile, onde têm ocorrido manifestações, muitas vezes violentas e também duramente reprimidas pelas forças de segurança, contra políticas do governo. 

Da REUTERS

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