Luiz Carlos da Rocha vivia uma vida tranquila em um sítio em Sorriso, no estado de Mato Grosso. Conhecido como “cabeça branca”, se passava por fazendeiro, mas era um dos maiores traficantes de drogas para as facções criminosas PCC, Primeiro Comando da Capital, e Comando Vermelho. Surpreendido por uma operação da Polícia Federal em julho de 2017, a prisão do criminoso foi fundamental para a PF constatar, tempos depois, a evolução do crime organizado. Cabeça branca fazia parte de um esquema que, envolvia um doleiro investigado pela Operação Lava Jato e empresas de fachada, usadas para lavar o dinheiro do tráfico de drogas e fornecer propinas para políticos. A partir dessa investigação, a Polícia Federal descobriu a existência de um “banco informal” onde doleiros lavam dinheiro tanto para facções, como o PCC, quanto para parlamentares.

Em entrevista à Jovem Pan, o coordenador-geral de repressão às drogas, armas e facções criminosas da PF, delegado Elvis Secco, explicou que, as facções modernizaram as práticas criminosas. “Nós não conseguimos comprovar uma ligação entre políticos e traficantes, mas temos que desmontar esse núcleo financeiro. É muito importante você identificar os núcleos financeiros, núcleos de lavagem de dinheiro. Então doleiro é um deles. Hoje eles estão usando criptomoedas, usam sistemas de empresas passando contas de circulação de dinheiro. Ou seja, eles se reinventam”, avalia.  O delegado também falou sobre a importância de centrar forças em investigações sobre a origem da lavagem de dinheiro das facções criminosas. Segundo Secco, apurações nesse sentido podem evitar casos semelhantes ao do megatraficante André do Rap, que foi solto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello.

“Quando você tem um fugitivo que estava condenado por tráfico de drogas, mas não tem [investigação] da lavagem de dinheiro e ele é solto, ele tem toda uma estrutura. Tem advogados, tem veículos, tem imóveis para se ocultar. Se não trabalharmos a questão da lavagem de dinheiro, toda essa estrutura vai continuar existindo. Então você trabalha anos para conseguir uma prisão e não tira o poder financeiro [do criminoso]. A estrutura permanece, ele é solto e utiliza dessa estrutura, até mesmo para se ocultar da Justiça”, afirma. A última operação da Polícia Federal contra o PCC, no começo deste mês, interditou mais de 70 empresas e bloqueou, com autorização da Justiça, contas bancárias que superam R$ 730 milhões.

*Com informações do repórter Leonardo Martins