O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) afirmou que escondeu dinheiro na cueca em um ato de impulso para proteger o pagamento dos seus funcionários. Em um vídeo divulgado nesta terça-feira, 20, o congressista, que foi flagrado pela Polícia Federal com mais de R$ 30 mil na roupa íntima, disse que o valor encontrado em sua casa não era fruto de esquema de corrupção, e que não havia se manifestado ainda por falta de forças. “Nunca tinha sido acordado pela polícia, acordei em meio a pessoas estranhas no meu quarto. Em um ato de impulso, protegi o dinheiro do pagamento das pessoas que trabalham comigo. Se levassem esse dinheiro, ninguém iria receber essa semana”, afirmou o parlamentar.

Rodrigues foi alvo, na última semana, da operação Desvid-19, que apura indícios do desvio de R$ 20 milhões que deveriam ser empregados no combate ao novo coronavírus pela Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (SESAU/RR). O senador, que parece se emocionar em trechos da mensagem, afirmou ainda que “ficou sem chão” ao ser apontado como chefe de organização criminosa. “Fui massacrado pelo meu silêncio. Fui ridicularizado. Fui humilhado. Jamais desviaria dinheiro público. […] Nenhum centavo dessas emendas que me acusam ter desviado foi empenhado, licitado ou outra coisa que o valha”, afirmou. Nesta terça, o parlamentar pediu afastamento de 121 dias do cargo.

Na última quinta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, havia determinado o afastamento do senador por 90 dias e o julgamento do tema no plenário do Supremo seria realizado nesta quarta-feira, 21. Com a licença de 121 dias entregue pelo parlamentar, o STF não tem mais motivo para manter o julgamento da liminar. Na semana passada, Rodrigues já havia sido destituído do cargo de vice-líder do Senado. Na ocasião, um grupo de congressistas se articularam para levar o seu nome ao Conselho de Ética da instituição.