O voluntário brasileiro que participava das pesquisas da vacina AstraZeneca/Oxford contra o novo coronavírus e morreu não teria recebido a imunização contra a doença. A informação é da agência de notícias Bloomberg, que contatou um familiar que não quis se identificar, já que as informações sobre o caso são confidenciais. O brasileiro teria recebido um placebo. O teste com as vacinas desenvolvidas pela Oxford já atingiram 8 mil brasileiros, de acordo com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). A morte do voluntário foi confirmada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira, 21, dois dias após o recebimento oficial da informação de que o brasileiro havia morrido. Os dados do paciente, porém, não foram detalhados por respeito às cláusulas de confidencialidade envolvidas na pesquisa internacional. Apesar da morte, as pesquisas continuam. “Os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”, disse a agência em nota.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta, o presidente da Anvisa manteve o sigilo sobre a identidade do voluntário. “Solidariedade para com a família deste brasileiro, ou desta brasileira, deste voluntário que faleceu. É um momento muito difícil, muito delicado, portanto, nos solidarizamos com a família”, afirmou Antonio Barra Torres. “Entendemos a angústia, entendemos a ansiedade e temos também a pressa, mas ela não será atrelada previamente a uma data”, esclareceu o presidente após ser questionado sobre entregas futuras da vacina.

O homem que participou dos testes no Brasil seria o médico João Pedro R. Feitosa, de 28 anos, que atuou na linha de frente no combate à Covid-19 e morreu por causa da doença. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição na qual o voluntário se formou, comentou o caso por meio de nota. “Segundo informações veiculadas pela imprensa, João foi voluntário em instituto privado de pesquisa na participação de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório Astrazeneca. Lembramos que a UFRJ não atua na testagem de vacinas estrangeiras e segue no desenvolvimento de pesquisa própria para imunização contra a COVID-19.O Centro Acadêmico Carlos Chagas, coletivo estudantil da UFRJ, também comunicou falecimento do médico e deixou uma homenagem à memória de João Pedro. “Sabemos o quanto você lutou até o fim, acreditamos que o destino reserva algo grande para você ainda”, afirmou a nota.

O IDOR, que administra a pesquisa com pacientes no Rio de Janeiro, afirmou que apenas metade dos voluntários da pesquisa recebem o imunizante produzido pela universidade de Oxford, mas não detalhou se o voluntário teria ou não recebido a dose, já que o estudo é “randomizado e cego”. A AstraZeneca Brasil também afirmou que não vai comentar sobre casos individuais de estudo clínico em andamento. “Todos os eventos médicos significativos são avaliados cuidadosamente pelos investigadores do estudo, um comitê independente de monitoramento de segurança e autoridades regulatórias”. Até o momento, oito mil pessoas receberam a vacina nos testes do Brasil, que são aplicados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.