O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden se encontrarão esta quinta-feira (22) em Nashville, no Tennessee, para o seu segundo e último debate presidencial. O evento será transmitido a partir das 19h do horário de Brasília pela emissora de televisão NBC News. A conversa, mediada pela jornalista Kristen Welker, terá 90 minutos de duração e abordará os seguintes temas: combate ao novo coronavírus, famílias norte-americanas, questão racial nos Estados Unidos, mudanças climáticas, segurança nacional e liderança.

A relevância desta noite pode ser questionada pelo fato de uma parte considerável da população já ter tomado a sua decisão. A duas semanas das eleições presidenciais, quase 40 milhões dos 156 milhões de eleitores norte-americanos já votaram antecipadamente pelo correio, segundo o United States Election Project. Além disso, há semanas as principais pesquisas eleitorais sinalizam uma vantagem de Joe Biden sobre Donald Trump. O último levantamento feito pela FiveThirtyEight, por exemplo, indica que o democrata está com 9.9 pontos de vantagem.

No entanto, o resultado da eleição presidencial ainda não está definido, de forma que o debate desta noite, na verdade, é de grande importância. Nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Barack Obama participou pela primeira vez de um evento da campanha de Biden e aproveitou a ocasião para pedir que os eleitores não se acomodem com pesquisas positivas e compareçam às urnas do dia 3 de novembro. Ele relembrou que, em 2016, Hillary Clinton aparecia como a favorita e, ainda assim, perdeu a eleição para Donald Trump.

Além disso, a disputa entre Biden e Trump continua acirrada em estados como Geórgia, Iowa, Ohio, Texas, Carolina do Norte, Arizona, Flórida, Pensilvânia e Wisconsin, segundo o FiveThirtyEight. Esse é outro indicativo de que os acontecimentos de 2016 podem se repetir. Há quatro anos atrás, Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos mesmo tendo menos votos totais que Clinton por ter sido escolhido em estados mais populosos, incluindo a Geórgia, o Texas, a Flórida e o Wisconsin.

O último debate entre os candidatos à presidência também promete ser um pouco mais organizado que o anterior, que foi bastante criticado pelas contínuas troca de farpas entre o democrata e o republicano. Para impedir que a situação se repita, a comissão que organiza os eventos decidiu que os microfones serão silenciados em momentos específicos do debate para garantir o direito de fala ininterrupta de dois minutos cada. Essa decisão, assim como a escolha dos temas que serão abordados, desagradou o presidente Donald Trump.

Mais uma vez, o republicano deve ficar desgostoso ao ter que responder questionamentos sobre sua atuação no combate ao novo coronavírus. Nesta quarta-feira (21), os Estados Unidos chegaram a 8.327.531 casos confirmados da Covid-19, sendo que 221.930 deles levaram à morte. As perguntas sobre segurança nacional também podem convergir no tema das políticas migratórias de Trump. No momento, a mídia norte-americana e internacional tem relembrado que, em 2017, 545 crianças foram separadas de seus pais na fronteira dos Estados Unidos. Esses adultos não foram localizados até hoje.

No entanto, o presidente Donald Trump também deve ter algumas cartas na manga. Uma delas é provavelmente o fato dele ter escolhido a juíza Amy Coney Barrett para substituir a feminista Ruth Bader Ginsburg, que faleceu em setembro, no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos. Barett é conhecida por ter um posicionamento conversador em temas que são caros aos eleitores republicanos, como o aborto e o acesso a armas. O presidente também deve abordar as recentes denúncias feitas por uma reportagem do The New York Post sobre Hunter Biden, filho do candidato democrata.

É possível que Joe Biden, por sua vez, retruque questionando Trump sobre as acusações relacionadas a ele que foram levantadas em uma matéria do The New York Times nesta terça-feira (20). A investigação do jornal norte-americano, que analisou o imposto de renda pessoal do presidente dos Estados Unidos, indica que Trump pagou apenas US$ 750 de impostos entre os anos de 2016 e 2017, o que seria incompatível com sua fortuna bilionária.