Os assuntos que seriam abordados no último debate presidencial dos Estados Unidos, realizado nessa quinta-feira (22), foram divulgados com antecedência pelo comitê responsável pela organização do evento. Dessa forma, tanto o democrata Joe Biden quanto o republicano Donald Trump sabiam que teriam que abordar os seus planos de políticas sociais quando a moderadora Kristen Welker entrasse nos temas “imigração”, “famílias norte-americanas” e “questão racial”.

De um lado do palco, Biden foi taxativo ao afirmar que a política migratória implementada por Trump fazia dos Estados Unidos “uma piada no mundo, uma nação que não pode ser levada a sério”. Ele declarou que uma de suas intenções é abrir caminhos para que os imigrantes obtenham a cidadania norte-americana e acusou o presidente de ter separado pais e filhos na fronteira do país com a finalidade de desincentivar a vinda dessas pessoas. O presidente se defendeu dizendo que muitas desses menores são trazidas por cartéis, não por seus familiares, e que os pais das crianças ainda seriam encontrados. “Agora, nós temos uma fronteira mais forte do que nunca”, retrucou o republicano.

A dinâmica se repetiu quando o assunto era o racismo. Biden demonstrou mais empatia em sua resposta ao exemplificar situações cotidianas em que os negros sofrem preconceito nos Estados Unidos e reconheceu que o “ponteiro” ainda está mais virado para a exclusão do que para a inclusão. Por esse motivo, ele afirmou que pretende promover mais oportunidades aos negros através da educação e de créditos para abrir empresas, além de modificar o sistema prisional para que ele promova mais reabilitação do que punição. Já resposta de Trump conteve mais afirmações pessoais e acusações do que propostas concretas. Ele alegou que entende “como essas pessoas sofrem” e que é “a pessoa menos racista da sala”, em uma tentativa de se aproximar dos eleitores negros. No entanto, ele criticou o movimento Black Lives Matter mencionando um momento em que viu manifestantes sendo hostis aos policiais.

Outro tema que gerou discordância entre os candidatos foi o Obamacare. Enquanto Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, pretende dar continuidade ao programa, Trump considera que o Obamacare “não é bom” por “socializar” a saúde, o que aumenta os custos para o governo. O candidato à reeleição afirmou que seu governo fez um bom trabalho modificando o programa e dando aos norte-americanos a possibilidade de optarem por serviços privados de saúde se assim desejarem. Biden rebateu dizendo: “a ideia de dizer que existir uma opção pública é o mesmo que tornar socialista é ridículo. Saúde não é privilégio, é um direito”. O democrata pontuou ainda que sua ideia não envolve o fim dos planos de saúde privados.