Nesta segunda-feira (26), o Observatório Sírio de Direitos Humanos denunciou em seu site oficial a maior ofensiva desde o início do tratado de cessar-fogo no país. Um bombardeiro russo matou 78 pessoas e feriu criticamente outras 90, além de ter deixado um número indeterminado de indivíduos desaparecidos ou presos nos escombros em Idlib. O bombardeiro aconteceu pouco tempo depois das tropas turcas, que apoiam os rebeldes, se retirarem de um dos postos de observação que mantêm na região.

Iniciada em 2011, a Guerra Civil Síria consiste na disputa de poder entre o governo do presidente Bashar al-Assad, acusado de manter um regime ditatorial velado, e os diversos grupos de oposição, que são vistos como terroristas armados. Enquanto a Rússia está ajudando militarmente o governo sírio, a Turquia se aliou e tem colaborado com os rebeldes. Em março deste ano, os dois países conseguiram entrar em um acordo de cessar-fogo que diminuiu as hostilidades, mas não extinguiu os ataques de ambos os lados do conflito.

Idlib, no noroeste da Síria, é uma das poucas províncias que permanecem nas mãos da oposição desde 2012. O lugar é controlado pela chamada Organização de Libertação do Levante, que inclui a Frente Al Nusra, ex-afiliada da Al Qaeda, e a Frente de Libertação Nacional Sunita, e é alvo do exército sírio e da Rússia pelo menos desde o final de 2019, quando estes sitiaram os arredores da província. Até agora, estima-se que a Guerra Civil Síria já matou mais de 500 mil pessoas, sendo mais da metade civis.