Aos 34 anos, o Rodrigo Sumi concretizou recentemente uma vontade antiga: fazer uma vasectomia. Apesar de ser jovem, o servidor público nunca pensou em ter filhos. Já recuperado da cirurgia, ele conta que a sensação é de tranquilidade. “Quando você decide ter uma criança você adquire novas responsabilidades, um compromisso também. Não basta você gerar só por gerar. Você tem que dar o seu melhor e pensando nesse sentido, e levando isso em consideração, eu optei por fazer a cirurgia e não ter filhos.” O médico Danilo Galante, sexólogo e membro da Sociedade Brasileira de Urologia, foi quem realizou a cirurgia do Rodrigo. Apesar de ser um dos procedimentos mais realizados do mundo, o médio ressalta que ainda há muitos tabus e preconceitos a respeito da vasectomia. “A maioria dos homens têm dúvidas em relação a complicações, esse é o principal tabu. Se tem alguma dificuldade de ereção, de tem algum tipo de perda de sensibilidade ou se esses homens vão parar de ejacular ou parar de ter orgasmos. A maioria dos pacientes desconhece que a vasectomia é um procedimento simples, rápido e com poucas complicações”, conta.

Atualmente, está em análise um Projeto de Lei (PL) na Câmara dos Deputados que pretende flexibilizar as regras para laqueadura e vasectomia. A proposta, apresentada pelo deputado Denis Bezerra (PSB), reduz de 25 para 20 anos a idade mínima para que homens e mulheres optem pela esterilização voluntária. Segundo o deputado, o texto também acaba com a exigência atual de que um interessado tenha pelo menos 2 filhos vivos para tomar a decisão, caso não tenha a idade mínima. “Entendemos que a autonomia de decidir sobre o corpo deve ser preservada a todo custo, sem interferências externas. Seja do parceiro ou do Estado.”

O médico Danilo Galante discorda das mudanças. Para ele, a alteração na idade mínima para realizar os procedimentos é desnecessária. “Com certeza vai aumentar o número de pacientes que vão se arrepender e vai aumentar a reversão de vasectomia no futuro. Acho de 25 anos é uma idade razoável porque a maioria dos homens já pensou no assunto de ser pai ou não. Muitos desses homens já são casados, já têm filhos. Ou considero 20 anos muito cedo”, avalia. Segundo dados do Sistema Único de Saúde, o número de vasectomias cresceu mais de 40,5%, partindo de 26 mil procedimentos realizados em 2009 para mais de 36 mil quase dez anos depois, em 2018. No ano passado, foram registradas mais de 49 mil cirurgias.

*Com informações da repórter Letícia Santini