O crescimento da violência policial em São Paulo pode favorecer o surgimento de milícias e colocar o estado num caminho semelhante ao do Rio de Janeiro. Essa é uma das conclusões apresentadas pelo pesquisador Bruno Paes Manso no livro recém-lançado “A república das milícias: dos esquadrões da morte à Era Bolsonaro“. Estudioso das facções criminosas há mais de uma década e membro do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Paes Manso passou um ano no Rio para entender o processo de formação e perpetuação das milicias. Para o pesquisador os milicianos oferecem mais perigo à Segurança Pública do Brasil do que o crime organizado.

O controle dos milicianos sobre o estado foi comprovado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos feito em parceria com a USP e o Disque Denúncia. Os números apontam que as milícias já dominam um quarto dos bairros do Rio de Janeiro, com quase 60% do território da cidade. Bruno Paes Manso, chama atenção o fato dos moradores decidirem entre o comando da milícia ou das facções criminosas. Um estudo feito pela Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos, divulgado na segunda-feira (26), alerta para a articulação de milícias com nichos do Poder Executivo, principalmente prefeituras e casas legislativas da Região Metropolitana do Rio. O documento destaca o fato de as conexões entre milícia e polícia terem se tornado estruturais, com interferências até nas operações de segurança.

*Com informações do repórter Leonardo Martins