A pandemia da Covid-19 acabou colocando em segundo plano uma das doenças que mais matam no Brasil: o câncer. De acordo com um levantamento das Sociedades Brasileiras de Cirurgia Oncológica e de Patologia, cerca de 50 mil novos casos deixaram de ser diagnosticados entre março e maio deste ano. A estimativa é que este número já possa ter chegado a 150 mil. No caso do câncer de mama, o medo da infecção pela Covid-19 fez com que algumas mulheres evitassem fazer a mamografia, exame capaz de reduzir a taxa de mortalidade em até 30%.

Em evento online promovido pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a titular da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Cristiane Britto, fez um apelo para que mulheres não deixem de buscar atendimento ou interrompam tratamentos por causa da pandemia. A ministra Damares Alves também fez uma pequena participação durante o evento, ressaltando a importância do diagnóstico precoce da doença — principalmente em mulheres jovens.

O Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, destaca que todas as doenças que acometem as mamas também causam impactos na saúde mental das mulheres. O psiquiatra lembra que os tratamentos oncológico e psiquiátrico devem ser integrados. Segundo o médico oncologista, Fernando Maluf, obesidade, fumo e consumo de álcool são alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento de qualquer tipo de câncer. O especialista explica que levar uma vida saudável pode diminuir as chances. O Instituto Nacional de Câncer estima ainda que mais de 66 mil novos casos de câncer de mama serão registrados no Brasil em 2020.

*Com informações da repórter Letícia Santini