O ex-candidato do Novo à Prefeitura de São Paulo, Filipe Sabará, comunicou na noite desta quinta-feira, 29, a sua desfiliação do partido. No último dia 22, Sabará foi expulso, após anúncio da Comissão de Ética da sigla. Em setembro foi aberto um processo administrativo contra ele por declarações que não condiziam com o posicionamento do partido e possíveis inconsistências no seu currículo. O prazo para recurso terminaria no dia 31 de outubro. Segundo o ex-candidato, a expulsão foi o motivo dele ter solicitado a saída do Novo. “A condenação veio antes e independente de provas, sendo o ponto de partida de um
processo que não é nem devido, nem legal. Isso porque, denunciado sem quaisquer provas que comprovem as descabidas acusações, o ônus de provar o que alega — que seria, em regra, da acusação — , foi assumido por quem deveria exercer o papel de julgador, em processo inquisitório, que desrespeita a liberdade de expressão, o devido processo legal, o direito de defesa, o contraditório, a presunção de inocência, a dignidade da pessoa humana, o Estado Democrático de Direito e a Constituição — assim como o próprio Estatuto desse partido, que, a esses, deveria ser atento”, escreveu Sabará no documento.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a suspender a decisão do Novo, mas mesmo assim o partido impediu Sabará de participar das eleições. Além de questionar a expulsão, o ex-candidato também afirmou que “a legenda tem revelado velhas práticas, postura autoritária e violadora dos mais básicos compromissos constitucionais”. “É de se refletir o ocorrido comigo, tentando se afastar do sentimento que nutrem — ou foram induzidos a nutrir — por mim, pois hoje sou eu quem passa por esse processo medieval, verdadeira máquina de moer direitos e garantias. Amanhã serão outros filiados”, escreveu. “Portanto, por tudo acima dito e, também, pelos fatos por todos já conhecidos, restou inviável permanecer nos quadros do Novo. Tudo tem limite, e esse é o respeito à dignidade das pessoas”, continuou. Sabará agradeceu, ainda, aos “grandes amigos e amigas que conheceu no Novo”, e desejou ao partido “dias melhores, novos ares e mudança, para que não perca o seu rumo na história”.

Entenda

Felipe Sabará acusa João Amoedo de perseguição e diz que o ex-presidente do Novo teria agido para o fim da campanha à prefeitura de São Paulo. No entanto, o líder do partido na Câmara dos Deputados, Paulo Ganime, rebateu as acusações, e afirmou que Amoedo não teve influência no processo e que não tem mais poder de decisão na sigla. O líder do Novo na Câmara ainda afirmou que há um debate na legenda sobre quando se tornar oposição ao governo federal. Para Ganime, o presidente Jair Bolsonaro recua das ideias apresentadas na campanha eleitoral de 2018.