A pandemia castigou o comércio de rua de São Paulo. As contas continuaram chegando, mas a empresária Raquel Silva, lembra das portas fechadas, horário  reduzido, consumidor sem emprego, com  perda de renda, cauteloso e não deu para ficar na Rua Augusta. O jeito foi mudar para a Conselheiro Furtado, no centro, e trocar um custo mensal de $ 15 mil para R$ 2.300. ” Eu vim para cá em busca da sobrevivência. O custo aqui nessa loja é igual o IPTU que eu pagava na Augusta. Tem um grande potencial, o que atrapalha mesmo são os valores absurdos dos aluguéis. Você encontra loja de 20 ou 30 mil, mas não tem quem consiga pagar esses valores sem o retorno de venda suficiente.

O glamour da Augusta chegou ao ápice quando os lojistas colocaram carpete no pavimento da rua; desde a Avenida Paulista até a rua Estados Unidos, para marcar o Natal de 1973. Mas ao longo dos últimos anos quem passa pela via observa uma realidade muito distante mesmo antes da pandemia. A Augusta e a Oscar Freire vivem situações totalmente opostas. Enquanto a rua que já foi a mais tradicional do comércio assiste a grande vacância e esvaziamento, na Oscar Freire o movimento é o contrário: os consumidores estão voltando após o período de isolamento social. A Presidente da Associação Comercial dos Jardins e Itaim, Rosângela Lyra, participou do projeto de revitalização da Oscar Freire há 16 anos atrás. A empresária considera o ambiente seguro e agradável como fator do sucesso. “As pessoas ficaram muito dentro de residências, de paredes e tetos. E aqui você tem essa liberdade que tanto ansiava. E a segunda coisa é que o céu aberto te dá mais uma segurança com elação a saúde e ao ar, então acho que esses dois fatores fizeram com que as pessoas buscassem. Além disso, as pessoas pararam de viajar e quando viajamos queremos andar na rua, sentar para tomar um café, ver vitrines, entrar em uma galeria de arte, e tudo isso o bairro do Jardins oferece.”

Augusta e Oscar Freire se cruzam e é curioso registrar cenários tão diferentes e ao mesmo tempo muito próximos. No entanto, há um complicador geral aos empresários em todas as regiões: o IGPM, o índice que baliza os alugueis, que subiu 18% nos últimos 12 meses, ressalta o diretor de Locação do Secovi, Cristian Baptista. “Como o reajuste é um dispositivo previsto em contrato e o que consta em contrato precisa ser respeitado, a recomendação é que os lojistas procurem os proprietários para uma negociação ou procure os serviços de uma imobiliária. O mercado de lojas de rua é muito amplo e segmentado, e os referencias de mercado, os elementos comparativos de valor de aluguel fornecidos pelas imobiliárias felicitarão nessa negociação”, explica. Em São Paulo, cerca de 20 mil lojas de rua encerram suas atividades desde o mês de março, após a pandemia.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos