O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) acusou publicamente o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de vazar uma conversa particular após divulgação na imprensa de que os dois se reuniram nesta quarta-feira, 28, para discutir o destravamento da agenda de reformas. “A atitude do presidente do Banco Central de ter vazado para a imprensa uma conversa particular que tivemos ontem não está à altura de um presidente de Banco de um país sério”, escreveu o parlamentar no Twitter na manhã desta quinta-feira, 29. Segundo informações, Campos Neto procurou Maia preocupado com os efeitos que os embates políticos e a demora para aprovação das reformas infligem no mercado financeiro. Na última terça-feira, 27, Maia afirmou que o governo não tem interesse em votar medidas provisórias e que ele não é o responsável pela morosidade no debate. “Não sou eu que estou obstruindo [as votações], é a base do governo”, afirmou à jornalistas.

Ao divulgar a manutenção da Selic em 2% ano ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, afirmou que a permanência da taxa básica de juros da economia brasileira ao patamar mais baixo da história depende também da manutenção da agenda de reformas do Ministério .“[…] questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, informaram os economista.

Segundo o presidente. a própria base de apoio do governo de Bolsonaro está tumultuando a agenda reformista. “Eu espero que, quando nós tivermos que votar a PEC emergencial, a reforma tributária, o governo tenha mais interesse e a própria base tire a obstrução da pauta da Câmara”, disse Maia, que afirmou que a reforma tributária já está incluída na pauta da Casa. “Agora, quando também tiver uma medida provisória importante que vá vencer, talvez outros façam obstrução para que o governo entenda que a Câmara precisa trabalhar”, ameaçou.

Nas últimas semanas, os partidos do chamado Centrão têm obstruído as votações como forma de buscar uma solução para o impasse envolvendo a escolha do presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), uma das mais importantes do Legislativo. O grupo capitaneado pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL), importante aliado do Palácio do Planalto, tenta emplacar o nome da deputada Flávia Arruda (PL-DF), enquanto a ala ligada ao presidente da Câmara cobra o cumprimento de um acordo que prevê a indicação de Elmar Nascimento (DEM-BA) para a presidência do colegiado. Em resposta à Maia, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que a manobra não traz danos ao governo. “Não temos tido prejuízo na votação das matérias. As MPs [medidas provisórias] têm bastante prazo para caducar e aguardamos o acordo para votar o projeto da cabotagem. Por enquanto, há divergência entre a própria base do governo. As emergências vão se tornando mais emergentes quando o prazo começa a se esgotar, o que torna a pressão por acordo ainda mais relevante. Mas acredito que rapidamente conseguiremos votar tudo o que interessa ao governo”, disse à Jovem Pan.