Pedro, de 14 anos tinha colesterol alto e por isso fez parte de um estudo internacional para o tratamento da hipercolesterolêmica familiar. A pesquisa foi iniciada em 2016 com 157 crianças e adolescentes com idades entre de 10 a 17 anos de 23 países. Todos tomaram doses do medicamento Evolocumabe, um anticorpo monoclonal, eficiente no combate à doença hereditária. O resultado foi promissor: todas elas tiveram uma redução da taxa de colesterol em 38%. Luciana Toddai, mãe de Pedro, diz que só o caçula nasceu com a doença e que após o tratamento ele está bem melhor. “Ele fez esse tratamento durante dois anos, ele aprendeu a tomar as injeções, é um método fácil que ele me aplica e os níveis de colesterol baixaram consideravelmente, a qualidade de vida dele melhorou.”

O estudo foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine e tem como autor principal o médico brasileiro Raul Dias dos Santos Filho, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP. Ele conta que os 12 pacientes da unidade tiveram uma resposta excelente e sem nenhum efeito colateral. “Não houve diferenças das crianças que receberam o medicamento em relação às crianças que receberam as injeções de placebo, que era uma substância inativa. As crianças cresceram normalmente, se desenvolveram normalmente, os hormônios e as vitamas estavam normais, então isso sugere que é um tratamento promissor que crianças possam receber no futuro, caso exista a necessidade”, explica. A hipercolesterolêmica familiar atinge uma em cada 300 crianças. Agora o uso do Evolocumabe em crianças ainda precisa ser aprovada pela agência federal de saúde dos Estados Unidos e também pela Anvisa.

*Com informações do repórter Victor Moraes