Com dois discos lançados ao longo do ano, a cantora ‘dona da bossa’ faz live comemorativa do aniversário. ♪ MEMÓRIA – Foi em 31 de outubro de 1935 que Claudette Colbert Soares veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Muitas fontes afirmam equivocadamente que a cantora carioca nasceu em 1937, erro que a artista marotamente nunca fez questão de corrigir, mas o fato é que Claudete Soares completa 85 anos de vida neste sábado, 31 de outubro de 2020, em plena atividade e faz live comemorativa do aniversário, às 21h, no canal da gravadora Kuarup no YouTube.
A agenda de shows teve que ser interrompida por conta da pandemia do covid-19, mas nada menos do que dois discos da artista chegaram ao mercado fonográfico ao longo deste ano. O álbum As divas do sambalanço saiu em março com o registro do show feito por Claudette com as cantoras Doris Monteiro e Eliana Pittman.
Já o disco Claudette Soares canta Maysa, de título autoexplicativo, foi lançado em setembro com a gravação ao vivo de show apresentado na cidade de São Paulo (SP), em 2018, com roteiro inteiramente dedicado ao repertório da cantora Maysa (1936 – 1977).
Capa do álbum ‘Claudette Soares canta Maysa’
Divulgação
Ouvir com Claudette músicas de grande peso existencial, como o samba-canção Meu mundo caiu (Maysa, 1958), chega a ser curioso, pois o canto leve da artista sempre esteve mais para a leveza da bossa do que para a fossa.
De todo modo, cabe lembrar que um dos maiores sucessos da carreira fonográfica de Claudette Soares foi a tristonha canção de despedida De tanto amor (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971), lançada na voz da cantora, meses antes de ser reapresentada com Roberto Carlos. Foi presente do Rei para essa cantora antes entronizada em outra dinastia musical.
Coroada Princesinha do baião nos anos 1950 pelo próprio rei do gênero musical nordestino, Luiz Gonzaga (1912 – 1989), Claudette abdicou dessa coroa e foi procurar a turma dela. E a encontrou no meio da segunda geração da bossa nova.
Editado em 1964, o primeiro álbum da cantora expôs já no título, Claudette é dona da bossa (1964), o dom que tornaria Claudette Soares uma intérprete valorizada pelos maiores compositores da música brasileira. Pena que a indústria fonográfica do Brasil não tenha dado à cantora o mesmo valor na era do CD.
Os álbuns gravados por Claudette Soares na gravadora Philips entre 1966 e 1971 foram encaixotados em charmosa caixa com reedições em CD lançada… no Japão. Disponíveis em edições digitais, estes discos nunca foram editados em CD no Brasil.
Capa do álbum ‘As divas do sambalanço’, de Claudette Soares, Doris Monteiro e Eliana Pittman
Divulgação
A discografia solo de Claudette na gravadora Odeon tampouco mereceu atenção. O álbum Fiz do amor meu canto (1976) – primeiro disco dedicado por cantora à obra do compositor e pianista Tito Madi (1929 – 2018) – nunca mereceu edição em CD no Brasil, para citar somente um exemplo do descaso com a obra da artista.
Esquecida nos anos 1980 e 1990, década em que lançou somente um álbum (Vida real, de 1995), Claudette Soares somente voltou a ter discografia regular quando teve o caminho profissional cruzado com o do produtor Thiago Marques Luiz em meados dos anos 2000.
Desde então, a artista tem feito discos temáticos que geram shows. E feito shows temáticos que geram discos, como o álbum com o repertório de Maysa. No palco ou no disco, para quem admira a cantora carioca que hoje festeja 85 anos, Claudette Soares ainda é – e sempre será – a dona da bossa.