♪ Baden Powell de Aquino (6 de agosto de 1937 – 26 de setembro de 2000) ainda estava vivo quando, em outubro de 1999, a jornalista francesa Dominique Dreyfus – amiga do artista e conhecida por pesquisas na área da música brasileira – lançou a biografia do compositor e violonista fluminense pela Editora 34. Vivíssimo, o biografado marcou (concorrida) presença na noite de autógrafos do livro O violão vadio de Baden Powell.
Nessa primeira edição, a narrativa se encerrava em 1997. Em 384 páginas, a autora contou a saga do artista nascido pobre no município fluminense de Varre-e-sai (RJ) e criado em São Cristovão, bairro do subúrbio carioca. De lá, Baden Powell migrou para o lendário Beco das Garrafas na zona sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ) e, a partir dos anos 1960, iniciou escalada profissional que o fez correr o mundo como um dos compositores e violonistas mais influentes do Brasil.
Baden Powell está imortalizado pela arte que mostrou ao universo. É para celebrar a eternidade dessa arte e, não para comemorar os 20 anos de morte do artista, como Dominique Dreyfus ressalta ao fim do prefácio da segunda edição da biografia, que o livro O violão vadio de Baden Powell volta ao mercado em edição revista e ampliada, lançada na segunda quinzena de outubro de 2020.
Nessa edição de 408 páginas, lançada pela mesma Editora 34 que pôs a biografia nas livrarias em 1999, a autora estende a narrativa até 2000, ano da morte do violonista. O acréscimo substancial dessa nova edição é o 11º capítulo, Última parada.
Esse capítulo adicional parte da conversão de Baden Powell à religião evangélica – já mencionada no fim da narrativa do livro de 1999 – para mapear os últimos caminhos da vida do artista. Embora o exercício da fé no credo evangélico tenha feito Baden renegar o candomblé e, consequentemente, os afro-sambas emblemáticos que havia composto com Vinicius de Moraes (1913 – 1980), a conversão do artista é dimensionada sem pré-conceitos por Dominique Dreyfus.
Ao contrário, a conversão é apontada como o caminho que livrou o violonista dos excessos da bebida e de demônios internos. “O cristianismo foi, para meu pai, a melhor coisa que aconteceu na vida dele”, testemunha Marcel Powell, um dos filhos músicos de Baden.
Essa fase final da vida do artista foi vivida na companhia de Elizabeth Amorim do Carmo, cozinheira que virou secretária faz–tudo quando Baden se separou da mulher Sylvia e, com a convivência pacífica, se tornou a esposa que também exerceu o papel de mãe do menino eternamente vadio.
Neste capítulo adicional do livro, a autora reconstitui a agenda de shows de Baden Powell entre 1998 e 1999 pelo Brasil e pelo mundo, sobretudo pelo Japão, país onde era adorado e tinha seguidores como o senhor que viajou três horas de trem diariamente, vindo de outra cidade, para assistir a todas os shows feitos pelo violonista em Tóquio.
Dominique Dreyfus também documenta a gravação em 2000 do último álbum de Baden, Lembranças, descortinando os bastidores da gravação do disco idealizado por Fernando Faro (1927 – 2016), oferecido à gravadora Trama e gravado sob direção artística de Wilson Simoninha.
Editado em dezembro de 2000, o álbum Lembranças se tornou disco póstumo com a saída de cena de Baden em 26 de setembro daquele ano.
A morte de Baden Powell e o lançamento do álbum Lembranças encerraram definitivamente a saga do violonista que pareceu ter encontrado a paz nos últimos anos de existência imortal eternizada por Dominique Dreyfus nas páginas da biografia O violão vadio de Baden Powell.
Capa do livro ‘O violão vadio de Baden Powell’, de Dominique Dreyfus
Divulgação / Editora 34