A segunda quarentena na Inglaterra ainda não começou, mas o governo já fala na necessidade de prorrogar a medida para conter o Covid-19. O primeiro-ministro Boris Johnson vai detalhar os planos para o novo lockdown ainda nesta segunda-feira (2) no parlamento. A Câmara dos Comuns vai votar as novas regras na quarta — a oposição trabalhista apoia a decisão e não haverá problemas para Johnson. A questão é que as novas restrições foram anunciadas como um pacote de um mês, planejado para terminar no dia 2 de dezembro.

Agora é claro que isso vai depender do avanço do Covid-19 e o próprio governo passou o dia de ontem afirmando que pode ir além. A quarentena dessa vez será nacional de novo, mas menos restrita que a primeira no início do ano. Escolas e universidades vão permanecer abertas, o esporte de elite vai continuar — incluindo a Premier League — e a indústria também seguirá. Mas a maior parte da população recebeu a ordem para ficar em casa e só sair em casos excepcionais.

O impacto da decisão na economia será brutal — fala-se em uma nova perda da ordem de 10% no PIB britânico, que já vem cambaleando desde o primeiro lockdown. A recuperação veio mas nunca chegou perto do tal V que havia sido projetado. O Banco da Inglaterra já prepara uma nova rodada de medidas de quantitative easing que, simplificando bastante, é o chamado “imprimir dinheiro”. O esquema para proteger emprego e renda foi prorrogado até dezembro pelo gabinete conservador, que vai pagar até 80% do salário dos funcionários atingidos pela pandemia.