Pesquisas norte-americanas apontam que o candidato democrata Joe Biden chegou ao dia da eleição americana, que acontece nesta terça-feira, 03, com 8,4 pontos percentuais de vantagem sobre o atual presidente e candidato à reeleição Donald Trump. A possibilidade de uma vitória democrata acirra o debate sobre as consequências da eleição dos Estados Unidos para o Brasil. O fim da relação pessoal entre os presidentes e até mudanças na política ambiental brasileira estão entre os prováveis desdobramentos, avalia Rubens Barbosa, que foi embaixador em Washington. “A primeira consequência é o término dessa associação brasileira com políticas americanas em organismos internacionais. O Brasil vai ficar mais isolado, perdendo força em discussões de temas sociais como família, aborto e religião. A segunda questão é a política ambiental. Tanto Biden quanto Kamala Harris já criticaram a política ambiental brasileira em relação à Amazônia. Então é de se prever que haja uma ação dos Estados Unidos com a Europa para que o Brasil mude em relação a ações ilegais de queimada, garimpo, destruição das matas e do tratamento dos indígenas”, pontua, explicando que a posição ambiental frente ao mundo pode acabar prejudicando a exportação de produtos brasileiros e, até mesmo, prejudicar financiamentos externos para projetos de desenvolvimento.

Embora aponte que uma vitória de Biden possa trazer maior pressão ao governo federal pelas políticas ambientais, Rubens Barbosa explica que, por outro lado, a eleição do democrata seria positiva para países de “porte médio”, que sofreram com o esvaziamento de organismos internacionais após a saída americana de organizações como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para o embaixador, o fortalecimento dos órgãos será positivo ao Brasil. “Os Estados Unidos tentaram esvaziar esses órgãos porque eles emitiram posições contrários aos interesses norte-americanos. Foi assim na OMC, na OMS, no acordo de Paris e no acordo com o Irã. Eles se retiraram porque o Donald Trump achou que não era positivo. Isso enfraqueceu e prejudicou países de porte médico como o Brasil, esses organismos internacionais são muito importantes porque dão o mínimo de segurança jurídica. Por isso, com a vitória de Biden [ e o retorno dos Estados Unidos para os órgãos internacionais] haverá o fortalecimento desses organismos, o que é bom para o Brasil”, afirma em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

No entanto, mesmo com as pesquisas apontando para a vantagem democrata, Barbosa lembra que a eleição nos Estados Unidos é “não é como no Brasil”, sendo decidida no Colégio Eleitoral. Além disso, há a possibilidade de uma judicialização do resultado por Donald Trump. “Temos que ver as pesquisas como uma votação hipotética majoritária, Biden terá mais votos na eleição majoritária, mas isso não conta. O que conta são os votos nos estados. Então se houver uma votação muito apertada na Flórida, na Pensilvânia, estados em que normalmente os republicanos ganham, certamente vão gerar reclamações por parte do Donald Trump e vai levar essa decisão para a Suprema Corte. O Trump já está falando há vários meses que haverá fraude, que os votos a distância são fraudados. Então a diferença [entre os candidatos] é que vai determinar se teremos uma judicialização ou não.” A eleição para a escolha no presidente dos Estados Unidos acontece nesta terça-feira, 03. No entanto, até o momento, cerca de 100 milhões de eleitores já votaram antecipadamente pelo correio.