Os EUA não tem nenhum interesse em buscar ruptura com o Brasil, de acordo com o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas Oliver Stuenkel. Para ele, o país não precisa se preocupar com uma “reação” se Joe Biden for eleito. O temor existe, para algumas pessoas, por causa das articulações do presidente Jair Bolsonaro ao declarar apoio a Donald Trump. “O que é relevante é de que maneira Bolsonaro reagiria se tivesse críticas à questão ambiental, que certamente viriam”, avalia.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Oliver Stuenkel falou sobre um elemento importante que pode unificar os dois países — mesmo com divergências: é fundamental, para Joe Biden, conter a influência da China na América Latina e o Brasil é uma peça chave nessa situação. Entretanto, opinar sobre a política alheia pode gerar consequências graves. “Articular preferências sobre o processo eleitoral em outro país sempre traz muitos riscos. Pode ser bom para mobilizar a própria base, mas o custo financeiro é evidente. Os investidores se preocupam com essa situação.”

“Com o presidente se aproximando do centrão, a política externa é muito importante. As expectativas são de que vamos continuar com a política externa de retórica radical para compensar uma normalização da política interna brasileira”, explica. De acordo com o especialista, os diplomatas sabem da importância do Brasil e não almejam uma ruptura. “Essas pessoas querem ter conversas para que o Brasil possa ajuda a resolver pequenos problemas que os EUA não querem se envolver. Aí é bom ter o Brasil aliado para cuidar dessas questões.”

Porém, segundo ele, o ideal é que Bolsonaro fique longe do debate político americano. “Quanto ele ataca algum ponto da gestão de Joe Biden, isso vira notícia nos EUA. Se acontecer de ter uma maior rejeição da população em relação aos brasileiros, o Biden tem que adotar uma postura mais dura mesmo contra a vontade dos diplomatas. Depende do Brasil ter uma postura moderada na comunicação e na criação de canais de diálogo entre Bolsonaro e um possível governo Biden. Isso é fundamental que essa questão não se torne o que foi a briga pública entre Bolsonaro e [o presidente da França, Emmanuel] Macron ano passado.”