As novas regras que facilitam a submissão dos votos antecipados nas eleições dos EUA revelam vulnerabilidades e anacronismos do sistema eleitoral americano, que tem definições diferentes em cada estado. É isso o que avalia o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenkel. De acordo com ele, seria mais fácil se o sistema fosse centralizado. “O que vai acontecer agora é que podem acontecer contestações individuais de cada estado e isso pode chegar até a Suprema Corte ao longo das próximas semanas. Pode haver uma situação muito pior do que a de 2000, com contestação da Flórida“, disse.

Ninguém sabe quanto tempo exatamente a apuração pode demorar. “É uma situação bastante imprevisível que obviamente acaba sendo complicada, ainda mais pela profunda polarização na sociedade americana. Independente de quem ganhar, vai enfrentar parcela da população em relação à legitimidade do próximo presidente.” Até às 10h desta quarta-feira (4), ainda faltavam os resultados de sete estados: Pensilvânia, Michigan, Geórgia, Carolina do Norte, Wisconsin, Nevada e Alasca.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Oliver ressaltou que, apesar de Donald Trump estar “na frente” nessas apurações estaduais, ainda existem chances de virada de Joe Biden — que lidera em número de delegados até o momento. “Tudo indica que os votos que ainda não foram contados são os que foram submetidos ao longo das semanas. Desses, acredita-se que a maioria das pessoas votou por Biden. A grande pergunta é se esse ‘blue shift’ — deslocamento — para os democratas será o suficiente para a vitória. Nesse momento, a situação é 50% e 50% para cada.”

Quanto ao risco de fraude, Oliver Stuenkel afirma que, historicamente falando, existem casos pontuais de tentativa nos EUA. Mas, no geral, nunca chegou ao nível maciço — como acontece em outros lugares do mundo. “Fraude eleitoral é um problema bastante recorrente, mas lá houveram poucos casos. Mas faz parte desse processo de acompanhar a contagem. Ao longo das próximas horas não teremos resultados e a probabilidade de contestação jurídica é de que pelo menos um estado chegue à Suprema Corte.”