O governo interino da Bolívia, em seus últimos dias no comando do país, enviou nesta quinta-feira, 05, uma carta ao Supremo Tribunal Eleitoral solicitando uma auditoria das eleições de 18 de outubro, alegando desejar transmitir certeza às pessoas que foram às ruas de várias cidades protestar em rejeição aos resultados das urnas. A carta é endereçada ao presidente do órgão eleitoral, Salvador Romero, e assinada pelo ministro interino da Presidência, Yerko Núñez. No documento, o governo menciona “expressões públicas e espontâneas” de diferentes setores do país denunciando uma suposta fraude no pleito e solicita que seja considerada uma auditoria que passaria “certeza, tranquilidade e credibilidade” à população.

“Tal determinação é necessária e essencial para dar maior legitimidade aos resultados das eleições, em nome da democracia e da validade da pacificação do país”, lê-se na carta. Desde a semana passada, organizações de eleitores e grupos cívicos em cidades como Santa Cruz de la Sierra, a maior do país, La Paz, sede do governo e do parlamento, e Cochabamba vêm realizando protestos, vigílias e greves. Os manifestantes não aceitam os resultados das eleições e exigem uma auditoria e até a anulação do processo eleitoral que deu a vitória a Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales, com 55,1% dos votos.

Santa Cruz foi palco nesta quinta-feira de algumas vigílias às portas de instituições, como o Ministério Público, e de bloqueio de ruas, como sinal de protesto contra a posse dos novos governantes. O Comitê Pro Santa Cruz, uma organização influente na região de mesmo nome, a maior da Bolívia e o motor econômico do país, convocou uma greve regional para a sexta-feira. O governo transitório de Jeanine Áñez está nos últimos dias de comando do país. A transferência de poder para Arce, em La Paz, está programada para o próximo domingo. A vitória do MAS é reconhecida pelos até pelos rivais políticos, como a própria Áñez, e pela comunidade internacional, enquanto o órgão eleitoral descarta uma auditoria para um processo mais endossado pelos observadores internacionais.

*Com informações da EFE