Primeira mostra da Casa da Imagem desde o início da quarentena, ‘Fronteiras Movediças’ fica em cartaz até 29 de novembro. Penna Prearo: fotógrafo explica 6 curiosidades da exposição ‘Fronteiras Movediças’
A primeira exposição recebida pela Casa da Imagem, na Sé, após longos meses de quarentena celebra a carreira vibrante de um fotógrafo que, aos 71 anos, encana com o termo “retrospectiva”. “Isso é pra quem já morreu ou encerrou carreira”, afirma Penna Prearo, que chegou a sugerir um subtítulo para “Fronteiras Movediças” — em cartaz até 29 de novembro.
“Eu entendo que seja um apanhado retrospectivo. Mas quando você trata de uma pessoa, um indivíduo, de um artista que está em plena produção, em plena velocidade de lançamento, que está o tempo todo trabalhando, soa pouco. Eu sugeri que botasse entre parênteses esse subtítulo. ‘Uma mostra retrô-perspectiva’. É surreal, inclusive, né?”, propõe Penna.
Contudo, questões que passavam pela programação visual impediram a sugestão. “Uma caretice”, define.
O fotógrafo Penna Prearo posa diante de seu ensaio ‘São todos filhos de… Deus’, exposto na Casa da Imagem, em São Paulo. É a primeira vez que as 10 imagens do ensaio são apresentadas em conjunto na cidade
Fábio Tito/G1
O G1 conversou com Ariovaldo Carlos Prearo poucos dias após a inauguração da mostra, no final de outubro (veja o vídeo acima). Com tanto peso, o nome de batismo parece digno de desembargador ou de personagem secundário em alguma novela de época. Já o nome artístico é leve como a conversa do dono.
Penna Prearo ficou conhecido nos anos 1970 após fazer algumas fotos que viraram capas de discos de artistas consagrados, entre eles Tim Maia, Milton Nascimento, Elis Regina. Somado a isso, o gosto escancarado por música de alguém que se descreve como “um músico que faz fotografias” poderia apontar para uma carreira extensa na área. Um erro.
A música imagética de Penna sempre soprou como vento, sem respeitar fronteiras. Ainda na fotografia analógica, seu ensaio mais famoso foi “São todos filhos de… Deus”. A obra ganhou o mundo na década de 1990, colocando uma tradicional representação do rosto de Jesus Cristo no lugar das cabeças de personagens em cenas curiosas.
Hoje, o fotógrafo tem como principal ferramenta o celular, para facilitar os cliques depois de ver os movimentos da mão direita comprometidos pelo mal de Parkinson. Entre os antigos ensaios analógicos e as cenas de ruído pleno e replicado da série “Tribunal das pequenas alterações”, feita ao longo dos últimos anos, há que se ao menos tentar compreender essa trajetória tão longa e transbordante.
Imagem da série ‘Tribunal de pequenas alterações’, feita em 2017
Penna Prearo
É bem isso o que propõe a exposição “Fronteiras Movediças”, que traz 150 imagens distribuídas em 9 salas, produzidas ao longo da carreira de Penna Prearo.
Em vídeo postado em rede social, ele e o curador, Fausto Chermont, prometem comparecer ao museu todo sábado para receber os visitantes. Pessoalmente, seguindo os protocolos de higiene e segurança, pode ser possível vislumbrar a perspectiva do jovem artista septuagenário para seus próximos passos.
Exposição ‘Fronteiras Movediças’, de Penna Prearo
Local: Casa da Imagem – Rua Roberto Simonsen, 136B – Sé
Visitação: de terça a domingo, das 11h às 15h, até 29 de novembro
Entrada gratuita
Nota: Tanto o curador quanto o artista optaram por gravar entrevista sem o uso de máscara no museu, que estava vazio. A equipe do G1 manteve o distanciamento e seguiu os protocolos de higiene e segurança durante toda a realização da reportagem.
Capa de disco de Tim Maia em 1972, com foto de Penna Prearo
Reprodução
Retrato de Elis Regina em 1977. Dessa sessão saiu o retrato que ilustra capa do disco lançado naquele ano
Penna Prearo
Foto da série ‘Jornada do alumbramento de Apollo’, feita em 2009
Penna Prearo
Imagem da série ‘Quem você pensa que é? Zero Ego’, feita em 2005
Penna Prearo
Imagem da série ‘Carrossel para um Kubrick solitário’, feita em 2010
Penna Prearo