A cicloativista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Marina Kohler Harkot, de 28 anos, morreu atropelada na noite de sábado, 9, quando trafegava de bicicleta pela Avenida Paulo VI, no Sumaré, zona oeste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, ela foi atingida por um carro por volta das 23h50. O motorista fugiu sem prestar socorro e a jovem morreu no local. O caso será investigado pelo 14º DP de Pinheiros. Procurada para dar mais informações sobre o caso, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública disse estar apurando informações sobre o boletim de ocorrência.

Marina era ativista feminista e de movimentos que defendiam melhores políticas de mobilidade urbana. Levou sua luta também para a vida acadêmica. Formada em Ciências Sociais pela USP, era mestra e doutoranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da instituição (FAU-USP), onde atuava como pesquisadora colaboradora do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade). Segundo informações de seu currículo Lattes, ela vinha se aprofundando em sua pesquisa de doutorado “no debate sobre segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade”. Na dissertação de mestrado, defendida em 2018, Marina já havia estudado a relação entre gênero, mobilidade e desigualdade.

Movimentos cicloativistas organizaram para as 17 horas deste domingo, 8, um ato em homenagem à Marina no qual pedirão mais segurança no trânsito e justiça para a jovem. O ato será realizado na Praça do Ciclista, próximo à Avenida Paulista, na região central. Nas redes sociais, amigos da jovem e movimentos sociais demonstraram indignação pela morte. “O motorista que a atropelou segue foragido. Basta de mortes de ciclistas e pedestres no trânsito, isso não é normal!”, publicou o movimento Mobilize Brasil no Twitter, com a hashtag #NaoFoiAcidente.

O cicloativista Daniel Guth, diretor executivo da Aliança Bike, questionou as regras de trânsito adotadas em vias como a avenida em que Marina foi morta e cobrou responsabilização dos gestores municipais. “Passou da hora de incluir prefeitos e secretários como corresponsáveis pelas mortes no trânsito. Talvez desta forma as coisas mudem. Uma via ampla em declive, sem fiscalização e com limite de 50 km/h não é condizente com a vida E as blitz da lei seca? Viraram lenda urbana”, escreveu ele no Twitter.

*Com Estadão Conteúdo