Cerimônia foi restrita a parentes e amigos. Cantora morreu aos 73 anos de insuficiência respiratória em uma casa de repouso, em Santos. Ao longo da carreira, artista se juntou à Jovem Guarda, lançou mais de 20 discos e vendeu 3 milhões de cópias. Corpo da cantora Vanusa é enterrado em SP
Abraão Cruz/TV Globo
O corpo da cantora Vanusa foi enterrado às 16h desta segunda-feira (9) no Cemitério de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, na presença de parentes e amigos.
De manhã, o corpo da cantora foi velado no Funeral Arce Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. A cerimônia também foi reservada a parentes e amigos da artista.
Vanusa morreu aos 73 anos na manhã de domingo (8) em uma casa de repouso em Santos, no litoral de São Paulo.
Corpo da cantora Vanusa é enterrado em SP
Abraão Cruz/TV Globo
Velório e sepultamento da cantora Vanusa acontecem nesta segunda (9), em São Paulo
Vanusa: famosos lamentam a morte da cantora, aos 73 anos; veja repercussão
“A minha mãe punha melodia nos pensamentos dela. Ela falava cantando”, disse Amanda, filha da artista, durante o velório.
“A minha gratidão, o meu respeito simplesmente como filho. Eu tenho que agradecer demais ao Brasil pelas homenagens, ela merecia demais”, afirmou Rafael.
Outra filha da cantora, Aretha, também agradeceu. “Que a gente seja forte nesse momento de transição e viva à Vanusa.”
“A gente viu as manifestações para Vanusa, o reconhecimento de que foi uma mulher que mudou a história da música. Ela começou a cantar assuntos ligados à mulher quando ninguém fazia isso”, disse Esther Rocha, amiga da cantora.
Filhos de Vanusa agradecem carinho e apoio
Reprodução/TV Globo
Cantora Vanusa morre aos 73 anos, em Santos (SP)
Um enfermeiro da casa de repouso, onde a artista morava há dois anos, percebeu que ela estava sem batimentos cardíacos, por volta das 5h30. Uma equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi acionada e constatou que a causa da morte foi uma insuficiência respiratória.
Segundo funcionários da casa de repouso, Vanusa recebeu a visita de Amanda, sua filha mais velha, neste sábado (7). Ela cantou, brincou, riu e se alimentou bem. A artista fazia fisioterapia e outros tratamentos na residência para idosos.
Vanusa morava havia dois anos na casa de repouso Barros Residência para Idosos em Santos, SP
Carlos Abelha/G1
Em setembro e outubro, Vanusa esteve internada no Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, por causa de um quadro grave de pneumonia.
Aretha Marcos, também filha de Vanusa, publicou homenagens à mãe nas redes sociais. Em uma delas, ela relembrou que, neste domingo, seu pai, Antônio Marcos, completaria 75 anos.
“O amor é impossível. Hoje, aniversário do meu pai, Antônio Marcos ele veio buscar minha mãe para viverem juntos na eternidade. A vida é arte!”
Corpo da cantora Vanusa é enterrado em SP
Abraão Cruz/TV Globo
Ao Fantástico, o filho da artista, Rafael Vannucci, ator, cantor e produtor de eventos, disse que havia 15 anos que a mãe travava uma luta contra uma doença neurológica que não foi diagnosticada e que leva à demência, semelhante ao Alzheimer. A descoberta aconteceu na época em que a cantora começou a tratar de uma depressão, agravada pela dependência de medicamentos.
No domingo, Rafael publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio dos fãs e as orações.
“Minha gratidão a cada um de vocês. É um momento muito difícil, com certeza é o pior dia da minha vida. Mas, ao mesmo tempo ela foi descansar, foi embora dormindo, e que o senhor receba minha mãe de braços abertos. Muito obrigada a cada um de vocês do fundo do meu coração, gratidão. E viva a Vanusa”.
A assessoria da artista divulgou um trecho escrito por Vanusa para o musical “Ninguém É Loira Por Acaso”, produzido por Léa Penteado.
“Meu nome é Vanusa Santos Flores. Nasci em Cruzeiro, interior de São Paulo, cresci entre Frutal e Uberlândia. Tenho 72 anos, 3 filhos, 4 netos. Sou do signo de Virgem, ascendente Escorpião, lua em Sagitário. Tenho 1m58 de altura e peso 54 quilos. Fui casada seis vezes e uma vez a Hebe me perguntou por que eu casava tanto, se os maridos não eram bons. Aquela mania que a gente sempre tem de culpar o outro, de achar que os amigos estão certos e que o resto do mundo está errado. Mas lamento comunicar que todos os meus maridos foram ótimos, o problema é que a minha expectativa era outra.
Eles foram e aconteceram no tempo que tinham que acontecer. Os maridos se foram, como os anéis, mas ficaram os dedos, os filhos, as histórias …
Minha vida sempre foi uma sucessão de perdas e ganhos… Perdi casas, apartamentos, carros, contratos, situações confortáveis. Ganhei experiência, amigos, uma profissão que me proporcionou ser quase tudo o que queria. Mas apesar de tudo, jamais perdi a dignidade nem a memória. Lembro tudo, cada história, cada sentimento, tudo muito bem guardado aqui dentro como se fosse ontem. A minha força está no que vi e vivi. Isso ninguém me tira.
Uma das primeiras formas de expressar meus pensamentos ficou registrada numa música, que tem uma ligação total com o meu primeiro casamento. Eu estava grávida da Amanda, e um dia, com o meu parceiro Mario Campana, peguei o violão e de uma tirada só fizemos uma música, “Manhãs de Setembro”. Antônio Marcos quando ouviu disse que a música não era comercial. Naquele tempo todas as músicas que ele fazia eram muito comerciais e por isso eram um grande sucesso. Ouvir aquele comentário foi horrível, me senti incapaz e impotente. Mas esta música me trouxe enormes alegrias, sucesso no rádio, reconhecimento do público.”
Initial plugin text
Cenário musical
‘Vanusa teve importância especialmente na década de 70’, diz Mauro Ferreira
Após a morte da cantora, Mauro Ferreira, jornalista e crítico de música, fez uma retrospectiva da carreira da cantora. Segundo ele, Vanusa teve importância especialmente na década de 70.
Ele também falou sobre a importância da cantora na cena musical brasileira e sua veia feminista. “Vanusa foi uma pioneira, ela foi empoderada. Ela sempre defendeu isso quando o mundo era mais machista, poucas mulheres tinham voz ativa na música brasileira como compositoras, sobretudo”, disse Ferreira.
Vanusa, em foto de agosto de 2015
Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo
Carreira
Vanusa Santos Flores nasceu em 22 de setembro de 1947 na cidade de Cruzeiro (SP), mas foi criada em Uberaba (MG).
Com mais de 20 discos lançados ao longo da carreira e 3 mais de milhões de cópias vendidas, a cantora e compositora era mais identificada com a canção popular do que com a MPB, mas flutuou entre gêneros como rock, funk americano e samba.
Aos 16 anos, cantava com o grupo Golden Lions. Em 1966, fez sucesso com a canção “Pra nunca mais chorar” e passou a se apresentar na TV Excelsior.
Na mesma época, participou das últimas edições do programa da Jovem Guarda. Pouco depois, se juntou ao elenco do programa humorístico “Adoráveis trapalhões”, com Renato Aragão.
Nos anos 1970, emendou sucessos como “Manhãs de setembro”, que escreveu em parceria com seu parceiro frequente Mário Campanha, e baladas como “Sonhos de um palhaço”, de Antonio Marcos e Sérgio Sá, e “Paralelas”, de Belchior.
Em 1972, se casou com Antonio Marcos. O cantor participou diretamente da carreira de Vanusa com outras músicas, como “Coração americano”, escrita com Fagner.
Vanusa, em foto de agosto de 2015
Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo
A música faz parte de um dos melhores discos da cantora, “Amigos novos e antigos”, lançado em 1975. Na mesma década, ela ainda esteve no elenco de montagem do musical “Hair”.
Em 1977, lançou com o cantor Ronnie Von o LP “Cinderela 77”, trilha sonora da novela com o mesmo nome da TV Tupi.
Nas décadas seguintes, manteve a carreira ativa com o lançamento de discos e participações em diversos festivais de música no país e no exterior, como Uruguai, Coreia do Sul e Chile.
Em 2005, participou ainda de eventos e shows comemorativos dos 40 anos da Jovem Guarda.
Em 2009, Vanusa foi convidada para cantar o hino nacional em um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo. Um vídeo que mostra a cantora trocando palavras da letra se tornou viral na internet. Na época, ela contou que remédios para labirintite a deixaram desorientada na ocasião.
Pouco tempo depois, Vanusa sofreu um acidente doméstico, segundo ela. também provocado pela labirintite. Por causa da queda, a artista precisou se submeter a três cirurgias na clavícula.
Vanusa contou sua vida na autobiografia “Ninguém é mulher impunemente” e no monólogo musical “Ninguém é loura por acaso”, que estreou no teatro em 1999 em São Paulo.
VÍDEOS: Relembre a carreira de Vanusa