Os casos de coronavírus caíram de forma considerável nas últimas semanas na Inglaterra, mas a ameaça está longe de ter passado. Às vésperas do fim do segundo lockdown no país, a mensagem do governo indica que ainda é muito cedo para relaxar. Integrantes do governo conservador falam abertamente sobre uma terceira onda de contaminações em janeiro caso a população não coopere. Apesar do fim das restrições mais rígidas na quarta-feira, 2, a maior parte da Inglaterra vai continuar com regras duras de distanciamento social.

O país foi dividido em três camadas de restrições, de acordo com o nível de contágio, e a maior parte está nas categorias mais severas. Londres ficou no segundo estágio — que não permite encontros entre moradores de endereços diferentes em lugares fechados. Os rumores na imprensa local indicam que a capital só não ficou na faixa mais alta porque o impacto econômico seria ainda mais severo. A cidade poderia perder cerca de 500 mil empregos se as regras não fossem relaxadas agora.

Um estudo do Imperial College London, com o instituto Ipsos Mori, aponta que o segundo lockdown reduziu em 30% o nível de contágio. O esforço coletivo foi responsável por conter o avanço da doença nas últimas semanas, evitando uma crise ainda mais grave nos hospitais. Hoje, o chamado número R que representa a taxa de reprodução do coronavírus está em 0,88 na Inglaterra. O primeiro-ministro Boris Johnson busca apoio na sua base para manutenção das regras de distanciamento social a partir de quarta. Para o conservador, existem motivos para acreditar que o pior da pandemia está quase acabando. E, se tudo der certo, em cerca de 10 dias os profissionais de saúde do país vão começar a ser imunizados com uma das vacinas contra o Covid-19.