Nesta quinta-feira, 10, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou o seu perfil oficial no Twitter para anunciar que Marrocos e Israel normalizaram as suas relações diplomáticas, evento que ele considerou “um marco para a paz no Oriente Médio“. Em comunicado oficial, a Casa Branca acrescentou que o acordo foi selado durante uma conversa telefônica entre o republicano e o rei do Marrocos, Mohamed VI, que concordou em retomar a cooperação econômica e cultural com Israel para “promover a estabilidade da região”. Dessa forma, o Marrocos se tornou o quarto país árabe a normalizar suas relações com Israel desde o início do governo Trump, antecedido pelos Emirados Árabes, Bahrein e Sudão.

As relações diplomáticas se materializarão através da “reabertura dos escritórios de ligação nos dois países”, como existiam até 2002. O comunicado do governo marroquino sugere, portanto, que essas instalações não terão o status de embaixadas, mas de escritórios com funções principalmente econômicas e tecnológicas. O Marrocos também anunciou que pretende estabelecer voos diretos para Israel, que teriam como objetivo facilitar a visita da grande comunidade judaica de origem marroquina, composta por centenas de milhares de pessoas. No entanto, o rei Mohamed VI destacou que a medida não altera o apoio do país aos palestinos, explicando que deseja uma solução baseada na construção de dois estados – um de Israel, e um da Palestina – vivendo em paz e harmonia.

Ao que tudo indica, o aceite do rei Mohamed VI se deu em troca do reconhecimento dos Estados Unidos de que o território do Saara Ocidental pertence aos marroquinos, e não à República Árabe Saaraui Democrática (RASD) – um estado que não é totalmente considerado pela comunidade internacional. A decisão também foi compartilhada por Donald Trump em seu perfil no Twitter, onde justificou: “Os EUA acreditam que um estado saaraui independente não é uma opção realista para resolver o conflito e que uma autonomia genuína sob a soberania marroquina é a única solução viável”. Dessa forma, o presidente deixou claro que apoiará o Marrocos nas próximas negociações sobre a região, garantindo que os Estados Unidos incentivarão o desenvolvimento econômico e social do país e abrirão um consulado em Dakhla, no território do Saara Ocidental.

Para o Marrocos, o anúncio constitui uma conquista sem precedentes em seu apoio internacional à questão do Saara. Por esse motivo, o rei Mohamed VI expressou a Trump sua “sincera gratidão pelo franco e inequívoco apoio à marroquinidade do Saara”. A ministra das Relações Exterior da Espanha, Arancha González Laya, pediu respeito às resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Saara Ocidental, que classifica o território como não autônomo desde a década de 1960. Na prática, isso significa que a região ainda não se emancipou da colonização espanhola.

*Com informações da EFE