Referência do forró nos anos 80 e 90, cantora cearense tenta colocar discos antigos nas plataformas de streaming até o 1º semestre de 2021. Ouça podcast com entrevista. Eliane ganhou o título de ‘Rainha do Forró’ pelos fãs
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Eliane, conhecida como a “Rainha do Forró”, começou a cantar aos 15 anos de idade no Ceará e é considerada umas percussoras da vertente eletrônica do forró.
Assim como as bandas Mastruz com Leite e Cavalo de Pau, Eliane viveu o auge da carreira nos anos 90, mas começou a cantar e a modificar elementos do forró tradicional ainda na década anterior.
“Eu coloquei muita coisa diferente, muitos metais, backing vocals que não tinham nessa época, não tinha essa diferença. Eu fui uma das pioneiras a fazer shows com produção, com cenário, com balé”, diz a cantora. Ouça entrevista no podcast abaixo.
Nesta semana, o G1 publica uma série de reportagens sobre artistas e produtores que viveram o auge do forró eletrônico nos anos 90.
Emanoel Gurgel: O empresário que popularizou o forró eletrônico gerenciando 11 bandas
Batista Lima, ex- líder da Limão com Mel, diz que divisão de artistas no forró prejudicou crescimento do gênero
O título de “Rainha do Forró” foi dado pelos fãs e é visto pela cantora como uma grande responsabilidade: “É muito complicado porque tivemos e ainda temos grandes artistas do Forró como Elba Ramalho, Marinês e Anastácia. É um nome pesado para carregar”.
Mas Eliane nega que o título a incomode. “As pessoas às vezes tentam te balançar, tirar do eixo, mas é justamente onde eu uso a minha fé para que eu fique firme na minha carreira, porque eu sei que é Deus quem está conduzindo”, afirma.
Elba Ramalho e Eliane cantaram juntas na live de São João de Campina Grande em 2020
Reprodução/Instagram/Eliane
Por falar em carreira, a cantora de sucessos como “Brilho da Lua” e “Amor ou Paixão” reconhece com certa tranquilidade que os dias de auge do forró romântico passaram e outros gêneros dominam as paradas.
“Não temo a nada disso, nenhum modismo ou qualquer um outro estilo que venha querer… As pessoas me perguntam: ‘E agora sua carreira o que vai ser feito? O que vai ser modificado? Tem medo de perder seu sucesso?”, diz.
“Vai chegando idade e a garotada está aí, o funk está explodindo, mas é natural. Todo mundo tem oportunidade de um lugar ao sol, isso não me prejudica. Eu vi muitas bandas crescerem, começarem, faz parte da vida”, continua.
“Nós não temos que temer a nada, mas ter criatividade para continuar no auge. O importante é continuar, estar no sucesso, sabendo o que está fazendo”.
Carreira independente
Montagem mostra CDs de Eliane, nome forte do forró nos anos 80 e 90
Reprodução
“Amor ou Paixão” foi o hit responsável por estourar nacionalmente o nome de Eliane na metade dos anos 90. Antes, ela já tinha participado de diversos programas de televisão e passado por quatro grandes gravadoras.
A música foi cantada por Wesley Safadão e Luan Santana em uma live que os artistas fizeram juntos em junho.
“Depois de 20 anos, a música está sendo cantada de novo por grandes artistas dessa nova era digital, dessa internet que está explodindo pelo mundo”, comemora a cantora.
Eliane fez uma pausa na carreira de três anos entre 1997 e 2000. Assim como outros artistas do forró eletrônico e romântica, ela tem dificuldade de emplacar hits nacionais, já que o movimento perdeu destaque nos últimos anos.
No entanto, a agenda de shows continua regular no Nordeste e costuma aumentar no mês de São João.
Desde o começo dos anos 2000, a Eliane segue uma carreira independente e sente a diferença de quando o movimento era sucesso nacional.
“Era quando a gente tinha apoio e oportunidade de viajar o Brasil. Sem gravadora, a gente tem que ralar muito, cada um precisa batalhar independente de qualquer coisa”, diz.
“A gente conseguia estar nos programas de nível nacional, conhecer outros estados, levar o trabalho com mais rapidez. Sinto falta disso, porque há uma dificuldade de fazer certos programas hoje. A gente sozinho complica um pouquinho para levar outros trabalhos para televisão”, continua Eliane.
Presença digital
A cantora reconhece que a migração de sua carreira para o ambiente digital foi lenta, mas garante que aprendeu a mexer nas redes sociais com a ajuda dos filhos.
“Realmente era uma coisa bem complicada ainda para mim, mas tudo isso a gente aprende rápido”, diz.
Dos vários discos que Eliane lançou ao longo dos 37 anos de carreira, apenas “Reencontro” (2001) e uma coletânea de 2019 estão nas plataformas digitais.
E os fãs cobram a cantora pela entrada dos discos no streaming. “Eles estão colocando aos pouquinhos. A dificuldade está na liberação dos direitos autorais de várias gravadoras”.
A meta é concluir esse processo até o primeiro semestre de 2021.
O EP “Rainha” também está disponível e marcou a entrada da cantora no digital em agosto de 2019 com três músicas: “Mil Palavras de Amor”, “Sim ou Não” e “Vai ser Melhor”.
As músicas foram gravadas em São Paulo, exatamente no mesmo estúdio em que gravou nos anos 90. Ela ficou 20 anos sem ir gravar na capital paulista.
“Me senti no passado, me senti começando uma carreira, dos grandes sucessos da minha carreira”, conta.
Famosa pelo romantismo e pelas músicas dançantes, a cantora também aproveitou para falar sobre a forma como artistas e até os fãs percebem a sua música. Uma discussão que foi citada também por Batista Lima, vocalista por 22 anos da Limão com Mel.
“Realmente não é um forró regional, é um balanço, um swing que a gente fez para diferenciar, mas eu nunca perdi minhas raízes”.
“Meu show, minha essência, minhas raízes do forró sempre vão estar comigo. Por isso eu sou uma cantora diversificada, sempre gravei de tudo um pouco, sou uma cantora bem eclética”, finaliza.
Eliane, a Rainha do Forró, fez show em Teresina em novembro de 2020
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