O Irã iniciou nesta segunda-feira, 4, na usina de Fordo, o processo para enriquecer urânio a uma pureza de 20%, violando o acordo nuclear firmado em 2015. O porta-voz do governo iraniano, Ali Rabiei, explicou que o processo começou “há algumas horas”, após a ordem do presidente, Hassan Rouhani, para implementar uma lei recentemente aprovada pelo Parlamento. Há três dias, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o Irã havia comunicado os planos de enriquecer urânio a uma pureza de 20%, nível que alcançou antes do acordo.

Segundo o pacto, que limita o programa nuclear iraniano para impedir que o país desenvolva uma arma atômica, o Irã não pode enriquecer urânio a um nível superior a 3,67%. O Irã já ultrapassou esse limite máximo de pureza em 2019, mas apenas a 4,5%. No entanto, o enriquecimento de 20% está ainda muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba nuclear. Rabiei ressaltou, segundo a agência oficial IRNA, que “dentro de algumas horas o primeiro produto UF6 (hexafluoreto de urânio) estará disponível”. O porta-voz do governo esclareceu que este processo foi colocado em prática após “tomar medidas como informar a AIEA”.

Esta é a última das medidas tomadas pelo Irã que violam o acordo nuclear assinado em 2015 firmado com Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido. O Irã começou a violar as obrigações em 2019, como retaliação pela saída dos EUA do pacto um ano antes e pela reimposição de sanções por parte do governo americano. O objetivo de Teerã é pressionar os países europeus a respeitarem as vantagens econômicas previstas para o Irã no pacto, que limita o programa atômico iraniano em troca da flexibilização das sanções internacionais.

*Com informações da EFE