Os dez especialistas designados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para investigar as origens da pandemia de coronavírus na China ainda não receberam a autorização necessária para entrar no país. A informação foi confirmada pelo próprio diretor-geral da entidade internacional, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que disse estar “muito decepcionado” com a notícia. Em uma rara repreensão à Pequim, ele afirmou que dois membros do time já começaram suas jornadas rumo à China e que os demais especialistas foram impedidos de viajar no último minuto. O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, acrescentou que a entidade espera que a demora na liberação dos vistos seja “apenas uma questão logística e burocrática que possa ser resolvida muito rapidamente”.

O grupo é composto por cientistas de diferentes países – Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietnã, Alemanha e Catar – estão ligados à OMS, à Organização das Nações Unidas e à Organização Mundial da Saúde Animal. Entre os seus objetivos está encontrar a possível origem animal do Sars-CoV-2 e através de quais canais ele foi transmitido aos humanos. Para isso, eles devem visitar a cidade de Wuhan, onde foi detectado o primeiro caso da Covid-19, e outras localidades da China.

As origens do surto do novo coronavírus são questionadas por alguns membros da comunidade internacional, que acusam as autoridades chinesas de terem ocultado informações sobre o início da pandemia que custaria mais de 1,8 milhões de vidas. No final de dezembro, a China condenou a quatro anos de prisão a jornalista Zhang Zhan justamente por ela ter noticiado sobre o começo da propagação do Sars-Cov-2 em Wuhan. A organização Chinese Human Rights Defenders acredita que a sentença tem como objetivo “silenciar outras pessoas que testemunharam o que aconteceu na cidade”.