Minha primeira participação em 2021 no programa não é de Londres, como faço normalmente. No início de dezembro eu vim para a América do Sul em férias na rádio, mas na verdade era uma viagem a trabalho para filmar um documentário. Nas semanas seguintes descobriu-se uma nova variação do coronavírus e se desenrolaram todas as restrições de viagem que vocês já sabem. O que significa que se um avião não vem da Inglaterra pra cá, ele também não volta de cá pra lá. E, com isso, meu voo de regresso para casa já foi cancelado pela companhia aérea duas vezes. A próxima tentativa será agora no domingo, 10. Um voo que era direto virou com escala na Espanha.

Mas esse é apenas um dos transtornos para quem tenta entrar de novo na Inglaterra. O país também está programando novas restrições e exigências, como exame PCR de Covid-19, por exemplo — algo que ainda não foi implementado. A situação na Inglaterra é extremamente preocupante e as incertezas se multiplicaram com a mesma velocidade dos novos casos. Só na terça-feira, 5, o Reino Unido ultrapassou a marca de 60 mil contaminações diárias por Covid-19 pela primeira vez desde que a pandemia começou. Uma em cada 50 pessoas na Inglaterra testaram positivo para a doença na semana passada, segundo estimativas oficiais.

Em Londres, essa estatística sobe para uma em cada 30 pessoas. Cerca de 830 mortes por Covid-19 foram confirmadas na terça-feira, o que deixa o inverno inglês ainda mais sombrio que o normal — muito mais sombrio. O país tenta se escorar no fato positivo de que mais de 1,3 milhão de pessoas já foram vacinadas. É mais do que o total de inoculados em toda a Europa. A título de comparação, até ontem a Alemanha só tinha vacinado 265 mil pessoas. A expectativa do governo conservador britânico é ter vacinado 13 milhões de pessoas até a metade de fevereiro. Isso representaria o total da população acima de 70 anos de idade e todos os profissionais de saúde.

Mesmo assim, o próprio primeiro-ministro Boris Johnson reconhece que ainda vai demorar para que os resultados apareceram. Até por isso o Reino Unido, país que está distribuindo vacinas de graça e em ritmo acelerado para a população, entrou em seu terceiro lockdown. Afinal, hoje, a única forma comprovadamente efetiva de reduzir a circulação do coronavírus é através do distanciamento social severo.