O desaparecimento do bilionário chinês Jack Ma tem intrigado o mundo empresarial. Após ter feito críticas ao governo de seu país, o fundador do Alibaba foi advertido pelas autoridades governamentais chinesas. Como se não bastasse, ele seria o principal jurado do episódio final em novembro de um game show para empresários chamado de Heróis Empresariais da África. Sem dar mais informações, uma porta-voz do Alibaba disse que a mudança ocorreu devido a um conflito de agenda.

O fato é que Jack Ma, um dos homens mais ricos e influentes do mundo, não é visto há cerca de 3 meses. Sua última aparição em público foi em um fórum, em Xangai, onde criticou duramente o sistema regulatório da China em um discurso que o colocou em rota de colisão com o governo chinês — e que resultou na suspensão do IPO, a oferta pública inicial de ações de US$ 37 bilhões, de um braço financeiro de seu conglomerado Ant Group.

Os órgão reguladores chineses apertaram o cerco contra o império de Jack Ma desde sua fala, lançando uma investigação antitruste sobre o Alibaba e ordenando o Ant Group a promover uma reorganização de seus negócios de financiamento ao consumidor — incluindo a criação de uma holding. O professor da Faculdade de Computação da Universidade Mackenzie, Vivaldo José Breternitz, indica que o sumiço do megaempresário não é bem visto pelo mercado global. “Não pode se esquecer, incialmente, que a China é uma ditadura. Então o governo pode fazer o que quiser. Então isso parece ser um procedimento padrão da China. Quando alguém desagrada o governo, o governo dá um puxão de orelha. Se não pode acontecer alguma coisa pior.”

O professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinicius de Freitas, explica que esse é um dos pontos da relação governo-iniciativa privada. “Quando a pessoa tenta, de alguma forma, querer se destacar ou se sobrepor às regras do jogo, o prórpio regime de alguma forma faz uma correção. Isso não é anormal, não. No países asiáticos a gente tem essa proximidade do governo com a iniciativa privada.”

Já o professor Vivaldo acrescenta que essa parece ser uma prática comum na China e enumera casos semelhantes. “O Richard Liu, que foi o fundador do JD.com, que é o grande concorrente do Alibaba na China, ele sofreu uma série de acusações — inclusive de estupro. E ele acabou ficando recolhido, fora da mídia por quase um ano. Um dos fundadores da Tencent, maior provedor de serviços de internet na China, também fez críticas ao governo e faz um ano que está retirado da mídia.” Dentro de todo este cenário crescem as especulações sobre o paradeiro do bilionário e fica a pergunta no ar: onde está Jack Ma?

*Com informações do repórter Daniel Lian