O Congresso dos Estados Unidos retomou na noite desta quarta-feira, 6, a sessão conjunta da Câmara dos Representantes e do Senado para certificar o resultado das eleições presidenciais de novembro do ano passado. Poucas horas antes, o Capitólio, sede do poder legislativo, foi invadido por centenas de apoiadores do atual presidente do país, Donald Trump, que não reconhecem a vitória do democrata Joe Biden no pleito, classificando-a como fraudulenta. O vice-presidente do país, Mike Pence, condenou a invasão e criticou os apoiadores de Trump ao dizer que “não venceram”.

Pence e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell fizeram discursos condenando o ataque à sede do Congresso quando foi retomada a sessão conjunta das duas casas parlamentares, que havia sido interrompida horas antes. Na sessão, o Senado e a Câmara dos Representantes certificam o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Biden. “Para aqueles que desencadearam o caos em nosso Capitólio hoje: vocês não venceram. A violência nunca vence. A liberdade sempre vence. E esta ainda é a casa do povo”, disse Pence. “Condenamos a violência que ocorreu aqui nos termos mais fortes possíveis. Lamentamos a perda de vidas neste lugar sagrado, e os ferimentos sofridos por aqueles que defenderam nosso Capitólio hoje”, acrescentou.

O vice-presidente voltou ao Congresso para presidir a sessão horas depois de ter desafiado Trump, que lhe pedia para assumir um poder não concedido pela Constituição e impedir a certificação dos votos de milhões de americanos em estados-chave no pleito. Pence deixou claro que a Constituição não lhe permitia fazer isso, e logo em seguida os apoiadores do presidente se dirigiram ao Capitólio e invadiram o edifício. McConnell, o republicano mais poderoso do Congresso, declarou que o Senado não seria “intimidado” e que realizaria “nesta mesma noite” sua tarefa de validar o resultado das eleições, estabelecida na Constituição do país. “Esta insurreição fracassada apenas ressalta quão crucial para nossa república é a tarefa que nos reúne aqui. Vamos completar o processo da maneira correta. Seguiremos à risca nossos precedentes, nossas leis e nossa Constituição, e certificaremos o vencedor das eleições presidenciais de 2020”, afirmou

Entre os votos na retomada da sessão, o Senado rejeitou por 93 a 6 a objeção à vitória do presidente eleito Joe Biden no Estado do Arizona, garantindo que o resultado será mantido. Depois da invasão desta tarde, vários senadores republicanos que planejavam apoiar a objeção mudaram de posição. Os republicanos apresentaram a objeção com base em alegações falsas feitas pelo presidente Donald Trump de que a votação no Arizona foi fraudada, argumento repetidamente rejeitado pelos tribunais e pelos funcionários eleitorais do Estado. A Câmara também rejeitou a objeção pelo placar de 303 a 121.

Invasão termina com uma morte

O atual presidente dos Estados Unidos, que publicou ao longo da semana uma série de mensagens chamando, sem provas, o sistema eleitoral de fraudulento, pediu em um vídeo nas redes sociais que os manifestantes voltassem para casa. Em uma coletiva de imprensa, o presidente eleito Joe Biden criticou Donald Trump e convidou o presidente republicano a ir à TV aberta pedir que os invasores se retirassem do Capitólio. Uma mulher morreu após ser atingida por um tiro no peito durante a invasão. Ela foi socorrida para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o jornal norte-americano The New York Times, a identidade da vítima não foi revelada até o momento. Também não há informações sobre a pessoa que disparou o tiro que a atingiu. Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver a mulher tentando escalar uma porta quebrada pouco antes de um barulho de tiro ser ouvido. A vítima, que estava enrolada em uma bandeira dos Estados Unidos, cai no chão logo após o estampido. Ao redor, é possível ver homens fardados e armados.

* Com informações da EFE