A repercussão da invasão ao Capitólio, orquestrada por movimentos extremistas pró-Trump, que aconteceu nesta quarta-feira, 06, em Washington, nos Estados Unidos, reverberou em todos os setores. Segundo autoridades policiais, 13 pessoas foram presas e cinco armas apreendidas. Políticos americanos estão em estado de choque com as cenas de barbárie no Congresso. O líder da maioria no Senado, Mitch Mcconell, disse que a casa não se intimidará. Já o líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, acusou diretamente o presidente Donald Trump de incentivar o comportamento dos invasores, a quem chamou de “valentões e bandidos”. Até mesmo a senadora republicana Kelly Loeffler, da Geórgia, que acabou de ser derrotada no segundo turno do estado, afirmou que desistiu de contestar a vitória de Joe Biden. Ela foi aplaudida por seus colegas após a fala.

A invasão ao Capitólio também gerou repercussão entre ex-presidentes do país. Barack Obama, em nota, disse que “a história vai corretamente lembrar da violência de hoje [quarta-feira] no Capitólio, incitada por um presidente em exercício que continuou a mentir sem fundamentos sobre o resultado de uma eleição legítima, como um momento de grande desonra e vergonha para nossa nação”. George W. Bush disse ser “assim que resultados de eleições são contestadas em repúblicas de bananas – não em uma república democrática. Estou abismado pelo comportamento imprudente de alguns líderes políticos”. Seu antecessor, Bill Clinton, afirmou que a América sofreu hoje “um ataque sem precedentes ao Capitólio, à constituição e ao país alimentado por quatro anos de política envenenada e desinformação deliberada”.

A mídia também fecha o cerco contra Donald Trump. O Twitter bloqueou a conta do atual presidente dos Estados Unidos por 12 horas, com risco de banimento se não apagar seus últimos três tweets. O Facebook anunciou a suspensão do perfil de Trump por 24 horas. Enquanto isso, mesmo faltando apenas duas semanas para o fim de seu mandato, seis deputados democratas preparam um pedido de impeachment contra o presidente. Uma associação de industriais americanos, formada por mais de 14 mil membros que eram aliados do republicano, pede que o vice-presidente, Mike Pence, interceda e peça a retirada de Trump por estar inapto ao cargo. Isso aconteceria com a 25ª emenda da Constituição e não é o mesmo que um impeachment. Para isso acontecer, o vice-presidente e uma maioria dos 15 integrantes do gabinete devem entregar ao senador mais velho uma declaração por escrito sobre a inaptidão ao cargo do mandatário. Assim, o vice-presidente assume imediatamente como interino. Há chances de contestação e o Congresso decide em até 21 dias o resultado.

*Com informações do repórter Fernando Martins