A variante do novo coronavírus encontrada em viajantes que foram do Brasil ao Japão no último dia 2 após viagem à região do Amazonas apresenta 12 mutações diferentes, uma delas já identificada no Reino Unido e na África do Sul e ligada à maior transmissibilidade da Covid-19. A informação foi dada pelo Ministério da Saúde em nota divulgada no domingo, 10. Segundo o órgão, o próprio governo japonês foi responsável por sequenciar a variante dos quatro infectados. Nesta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou em coletiva de imprensa que ajuda a implementar programas que investiguem as mutações do vírus no mundo e acalmou a população ao afirmar que até o momento nenhuma das variantes parece ser resistente às vacinas desenvolvidas. “Nós contatamos todos os países para investir no sequenciamento do vírus, monitorando, testando e divulgando os dados internacionalmente. Isso ajuda a entender melhor quando variantes preocupantes são identificadas”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

O diretor lembrou da importância de manter o distanciamento social e seguir as normas que são propagadas pela OMS há quase um ano para evitar a contaminação. “Quando limitamos a transmissão, diminuímos a chance de novas variantes perigosas se desenvolverem. O que é mais crítico é que sequenciemos o vírus efetivamente para saber como ele está mudando e como nós devemos responder”, afirmou. O diretor da OMS também afirmou que uma equipe de pesquisadores se dirige para Wuhan, na China, para investigar o surgimento do vírus, algo que ainda é nebuloso para especialistas. Entre os países apoiadores da pesquisa, seja com tecnologia ou com mão de obra, estão Austrália, Dinamarca, Alemanha, Quênia, Holanda, Qatar, Rússia, Sudão, Reino Unido, EUA, Vietnã e China. “Isso [o sequenciamento] é importante não só para Covid-19, mas para todo o futuro da saúde global”, disse.

Não há evidências de que as variantes estão aumentando a severidade da doença. Há alguma evidência de que elas talvez estejam intensificando ou aumentando a transmissibilidade do vírus”, disse o diretor-executivo da organização, Michael Ryan. Ele comparou as variantes a um jogo de futebol no qual jogadores do time são substituídos no segundo tempo, tornando a equipe mais forte. “Isso não muda as regras do jogo. Não muda o que precisamos fazer para ganhar. Só muda a força do oponente”, analisou. Ele também confortou a população sobre a relação das mutações com as vacina, mas reforçou que o trabalho de monitoramento deve ser mantido.