O novo relatório mundial da ONG Human Rights Watch sobre a situação dos Direitos Humanos no mundo, divulgado nesta quarta-feira, 13, aponta que os dois maiores países das Américas falharam em ações de combate à pandemia e não protegeram os direitos dos cidadãos da forma como deveriam em 2020. No caso do Brasil, o documento diz que o presidente Jair Bolsonaro minimizou a gravidade da Covid-19, recusando-se a adotar medidas para proteger a si mesmo e as pessoas ao redor. Nos Estados Unidos, segundo a ONG, a inação de Donald Trump diante do impacto desproporcional da doença entre negros e brancos, somanda à disseminação de notícias falsas sobre o coronavírus pelo próprio presidente, agravaram a situação da pandemia. O pesquisador da Human Rights Watch, César Munoz, prevê uma mudança nesse cenário com a chegada de Joe Biden à Casa Branca. “Nós vamos trabalhar com a administração de Biden para que coloque, de novo, os direitos humanos como principal da política externa e para que pressione governos que violam direitos fundamentais, começando com governos repressivos, como a Arábia Saudita, a China e a Rússia.”

César Munoz ressalta que o relatório também apresenta pontos positivos. Segundo ele, o trabalho desenvolvido por instituições democráticas no Brasil foi fundamental para impedir uma crise maior na saúde pública. “Vimos, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal defendendo os direitos. Dizendo, por exemplo, que você tem que usar máscara, obrigando o governo Bolsonaro a fazer um plano de resposta à Covid-19 nas terras indígenas. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, a imprensa tem um papel muito positivo. E o presidente Trump e o Bolsonaro continuamente atacam a imprensa”, cita. O relatório da Human Rights aborda a situação dos direitos humanos em mais de 100 países. Em relação à China, a demora na divulgação de dados da pandemia evidenciaram ainda mais o autoritarismo do regime comunista. Já na Venezuela, que convive com um sistema de saúde em colapso, há “disponibilidade limitada de testes confiáveis, falta de transparência do governo e perseguição a médicos e jornalistas”, que tentam expor a realidade sobre o avanço da Covid-19.

Em nota, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirma que a pasta “tem trabalhado as políticas de enfrentamento à violência, inclusive durante o período da pandemia de Covid-19, em várias frentes como planejamento, comunicação, saúde e ação social.” O documento afirma ainda que “para o enfrentamento dos problemas causados pelo coronavírus, o Ministério contou com um orçamento de R$ 213 milhões em 2020”, sendo que quase 100% desse valor já foram empregados.

*Com informações da repórter Letícia Santini