O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, defende a necessidade da realização do Censo 2021, mesmo que isso aconteça aos “45 minutos do segundo tempo”. Para ele, cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira, encaminhar discussão sobre crédito suplementar para retomar a verba de R$ 2 bilhões destinada ao instituto, possibilitando a realização da pesquisa, considerada “baratíssima”. “Ano que vem é o ano segundo centenário da nossa independência. No dia 7 de setembro vamos comemorar 200 anos que Dom Pedro em São Paulo disse ‘independência ou morte’. Nós estamos mais para morte do que independência. Uma parte da independência provem de termos o controle da realidade brasileira através do retrato, da fotografia das informações. Não poderia ser mais claro, temos que retomar esse R$ 2 bilhões, é baratíssimo”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, citando o custo de 15 bilhões de dólares para a pesquisa feita recentemente nos Estados Unidos.

“Imagina como é barata a realização do Censo no Brasil e quantas centenas de jovens brasileiros serão empregados. É uma estupidez não realizar o Censo, é uma marca da nossa estupidez nesse momento triste da nossa história”, afirmou. Além de considerar possíveis consequências para as política públicas brasileiras, Paulo Rabello de Castro também afirmou que o adiamento do Censo 2021 pode, inclusive, “tornar ilegítima a próxima legislatura do Congresso Nacional. “Com contagem totalmente desatualizada da população não sabemos o número certo que representa, por exemplo, o Estado do Maranhão, que tem crescido muito pelo agronegócio, que representa do Rio de Janeiro, quantos deputados deveríamos ter em São Paulo. Se temos Congresso desequilibrado em termos de cadeiras, já existe vício de deslegitimidade no Congresso. Quando não se arruma R$ 2 bilhões para fazer o Censo, ele torna a próxima legislatura ilegítima. Não estamos mais no Estado de Direito.”

O ex-presidente do IBGE citou ainda a impossibilidade de realizar a pesquisa segmentada, com coordenação dos Estados. De acordo com ele, com 27 métodos de pesquisa diferentes, a consulta pública seria um “pandemônio”. Por isso, ele defende que governadores e prefeitos pressionem pela realização do Censo 2021, que, segundo ele, deve gerar empregos ainda ao país em meio à pandemia. “Tudo isso pode ser mapeado com a ajuda dos recenseadores que vão a campo. E isso em si já é uma política pública, porque vai dar o primeiro emprego para jovens que têm vontade de trabalhar e na pandemia estão sem trabalho”, disse, completando: “Podemos realizar isso entre novembro e dezembro. Dá tempo”, finalizou.