Sem ações para minimizar o atraso no ensino pandemia, alunos do 3º ano do ensino médio deverão concluir os estudos no ano que vem sabendo apenas 20% do esperado em português. A conclusão é da pesquisa “Perda de Aprendizagem na Pandemia”, do Núcleo de Ciência Pela Gestão Educacional do Insper e Instituto Unibanco, divulgada nesta terça-feira, 1º. Segundo o estudo, a perda de aprendizagem acumulada durante a pandemia já é estimada em 74% para quem está no último ano do ensino médio, tanto em português quanto em matemática. O professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, explica que os números indicam que o fechamento das escolas causa impactos significativos. “O problema educacional  é gigante, tão grande quanto o problema da saúde, maior do que o problema econômico brasileiro. E que esse desafio requer ações imediatas. A sociedade brasileira tem que se comprometer, ela tem uma dívida com a população hoje em idade escolar que vai precisar de muitos anos para ser paga.”

No ensino remoto, a pesquisa considerou que os estudantes aprendem apenas 17% do que deveriam em matemática em relação às aulas presenciais. Já em português, esse percentual é de 38%. Outro problema agravado pela pandemia foi a evasão escolar. O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, reforça a necessidade de as redes fazerem uma busca ativa por estes alunos, para trazê-los de volta à escola. “O Brasil nunca viveu, nunca viveu, um desafio do tamanho que estamos vivendo agora para a educação. E a gente já tinha um desafio gigantesco, não podemos esquecer isso. Já estávamos atrasados frente outros lugares do mundo, estávamos disputando em participar ou não da sociedade do conhecimento, estávamos melhorando. A gente não parou de melhorar na educação, mas a gente já tinha o diagnóstico que a melhora estava em uma velocidade lenta”, pontua. Caso a perda de aprendizagem se mantenha, cada estudante que se formar no ensino médio em 2021 terá uma perda de renda ao longo da vida de R$ 20 mil a R$ 40 mil.  Para tentar reverter esse cenário, a pesquisa sugere dobrar o engajamento dos estudantes, adotar o ensino híbrido ao longo de todo o 2º semestre do ano que vem, adaptar currículos e acelerar o aprendizado.

*Com informações da repórter Letícia Santini