Um dos principais efeitos da crise sanitária: o desemprego. Em 2020, 1,370 milhão de pessoas ficaram desempregadas na região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital. O dado está na pesquisa divulgada pela fundação Seade, órgão do Estado de São Paulo que analisa estatísticas socioeconômicas. O estudo traz ainda os impactos sobre aqueles que mantiveram seus trabalhos. O teletrabalho, por exemplo, home office, que muito se fala em ser uma tendência de mercado. Ele atingiu uma minoria: foi adotado por cerca de 2,2 milhões trabalhadores da região metropolitana de São Paulo — o que corresponde a apenas 26% do total de ocupados.

Essa modalidade também foi adotada mais pelas mulheres do que pelos homens — e também foi mais possível para quem tem mais escolaridade. Do total de trabalhadores em home-office, 18% tem ensino médio e quase 63% tem ensino superior. Outro dado da pesquisa é que a interrupção do trabalho foi mais intensa conforme mais precária a inserção no mercado: do total de ocupados que sofreram pausa de 15 dias ou mais nas atividades, 35% são assalariados, enquanto informais são 62,7% e domésticos 58,7%. A redução de rendimentos foi constatada para 37% dos ocupados e também foi mais dura para quem tem menos escolaridade.

Sandra Brandão, responsável pelo estudo, observa que os números refletem a realidade de desigualdade social no mercado de trabalho. “A cada 100 pessoas, 18 trabalhadores de São Paulo foram afetados ou por redução de jornada, por redução de trabalho e renda. São 1,2 milhões de pessoas que teve perdas imensas associadas às dificuldade de trabalhar na pandemia.” Para a economista, o desafio para melhorar condições de trabalho e recolocar quem está fora do mercado passa primeiro pelo crescimento econômico do pais, também por qualificação especifica e programa de complementação de renda — uma vez que formação educacional que proporcione melhores condições de escolha é um investimento de mais longo prazo.

*Com informações da repórter Carolina Abelin