Em meio a desconfianças envolvendo o governo de Jair Bolsonaro, especialistas defendem um fundo voltado à preservação e educação ambiental. O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, avalia que o capital natural do Brasil precisa ser melhor explorado. “Nós temos uma janela se abrindo em bom tempo, porque o relógio joga muito contra. O Brasil precisa se engatar nesse trem, no momento que viemos hoje é de trevas, mas tem muitos atores importantes nesse tempo, se posicionando, mostrando ao mundo que nós temos diversidade aqui dentro também.”

Em evento do jornal Valor Econômico, nesta segunda-feira, 19, Armínio Fraga se disse um entusiasta da educação ambiental nas escolas. O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy sugere uma ampliação do regime tributário na Amazônia. “O ICMS pago pelo contribuinte amazônico fica, em grande parte, no Estado de origem dos bens. Enquanto que a receita pública, gerada pro grandes projetos, como extração mineral, não vai além do pagamento de modestos royalties.” O ex-ministro Joaquim Levy alerta para as atividades ilegais na floresta que causam prejuízos ao erário.

Sobre os aspectos jurídicos, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, se diz preocupado com regularização de áreas públicas. “Os crimes ambientais pouco reprimidos na Amazônia, os principais vão além do desmatamento em si. As queimadas deliberadas, a extração e comércio ilegal de madeira, a mineração ilegal e a grilagem de terras. A tentativa de legalização dessas áreas públicas que são griladas.” Desde 2019, quando foi convidado a participar de um congresso da ONU, o ministro passou a estudar leis e regras ambientais. A Cúpula do Clima também será um teste para o Brasil nas relações bilaterais com os Estados Unidos.

*Com informações da repórter Nanny Cox