Foi em um hospital ainda de madeira que o empresário Jaime Pereira de Melo nasceu. Brasília ainda não tinha sido nem inaugurada. A capital federal foi construída por pioneiros que, assim como a família de Jaime, moravam na chamada Cidade Livre. Mais tarde, Núcleo Bandeirante. Pessoas simples que vieram atrás de um sonho. Gente que veio de todos os cantos do país. Diferentes tradições, diferentes estilos de vida. “Tivemos eu e os meus irmãos uma influência muito forte, muito legal, porque fomos criados dentro de um berço cultural muito forte, com gente de todos os Estados. E formatou praticamente uma vida inteira”, conta Jaime. Brasília conhecida pelos seus palácios e pela beleza indiscutível da arquitetura de Oscar Niemeyer é muito diferente daquela que foi inaugurada há 61 anos. O empresário Gil de Paula avalia que, como toda cidade, ela começou quase sem estrutura e foi crescendo, aos poucos, como o próprio brasiliense. “Eu acompanhei toda essa passagem de Brasília daquela cidade de mato, barro e cascalho para essa metrópole que nós vemos hoje”, relata Gil.

Quem vive aqui há 61 anos experimentou uma vida simples. Ruas de terra, casas de madeira, mas Brasília mudou. O avião criou asas. Aquele celeiro de cultura e de costumes agora tem a sua própria. É preciso ser brasiliense para ter o orgulho de ser a capital do rock. Quem cresceu em Brasília sabe muito bem o que é desfrutar o espaço democrático do parque da cidade, conhece o sabor da pizza da Dom Bosco, do pastel da Viçosa e consegue entender a saudade do parque Ana Lídia e também da piscina com ondas. “Realmente vai ficar difícil para quem não viveu esses anos em Brasília ter esse sentimento que o brasiliense do começo tem por essa cidade, essa nostalgia que essa cidade nos trouxe”, completa o empresário. Brasília tem história para contar, mas ainda é só o começo. Já podemos dizer hoje que o nosso quadradinho também é a capital do País. Porém, antes de tudo, ainda é a capital da esperança. “Acredito eu todo brasiliense é muito agradecido à criação dessa cidade, à ideia que saiu do papel e se transformou nisso que nós vimos: um celeiro de oportunidades”, afirma Gil. “Praticamente tudo acontece aqui em Brasília. Então nós temos um privilégio muito grande. Tanto que quem vem morar aqui, é difícil sair desse berço, desse abraço que Brasília dá”, diz Jaime.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin