O governo paulista, após apresentar queda no número de internações em UTIs e enfermarias, recoloca o estado na fase vermelha do Plano São Paulo contra a Covid-19. Com isso, alguns setores tidos como essenciais podem reativar suas funções. Restaurantes e lanchonetes, por sua vez, só poderão atuar nas modalidades drive-thru e delivery. As medidas trazem alguma flexibilização, mas representantes do setor do comércio dizem que é preciso fazer mais em prol dos empregos e da subsistência da área.

Para Fabio Pina, economista da Fecomercio, isso deve ser feito de forma organizada pelo governo. Como exemplos, Pina elenca o auxílio emergencial, o Pronampe, linha de crédito para micro e pequenos negócios, a suspensão parcial da folha de pagamento, além de um auxílio para pequenos comerciantes. “Essas quatro medidas dá para imaginar que estamos falando em R$ 700 bilhões. Não é pouco dinheiro, mas não vejo outra forma. Em paralelo, nós temos uma discussão do Orçamento que me parece deslocada. Inclusive, na nossa opinião, não tem como fazer isso sem Orçamento de guerra.”

Cesário Nakamura, presidente de uma empresa de cartões de benefícios, destaca que a população está mais consciente dos riscos da doença e se organizando melhor até mesmo para evitar exposição na hora das compras de supermercado. “Supermercados apresentam um faturamento maior, mas com quantidades de compras menores. Consumidores estão indo menos vezes ao mercado, mas fazendo compras de valores superior. Quando vão, fazem compras maiores.” Houve, na fase emergencial, incremento na vigilância para coibir aglomerações desnecessárias.

Fato demandado pelos empresários, que desejam provar que não é o comércio que causa aglomerações. Neste final de semana, o comitê de blitz do governo do Estado e da prefeitura de São Paulo flagrou uma festa clandestina no bairro do Tatuapé, na zona leste. No total, dez estabelecimentos foram inspecionados no município de São Paulo, sendo cinco autuados e quatro fechados. Foram presas 15 pessoas, incluindo um procurado pela Justiça. Desde o início do toque de restrição, em 26 de fevereiro, a Polícia Militar realizou 4,8 mil operações em todo o Estado, com 4.478 pessoas presas — sendo 3.271 procurados pela Justiça.

*Com informações do repórter Fernando Martins