O caos visto em Manaus, quando pacientes morreram sem oxigênio nos hospitais, pode se repetir em outras regiões se o número de internações pela Covid-19 não diminuir. Um levantamento da Frente Nacional de Prefeitos indicou que o insumo está prestes a acabar em pelo menos 76 municípios de 15 estados. Em muitas regiões, a previsão é que o estoque acabe em duas semanas ou até um mês. Em São Paulo, não é diferente.  Dados da prefeitura apontam que o consumo de oxigênio na rede hospitalar da capital paulista aumentou 121% em março em relação a janeiro.

Segundo o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido, ainda há oxigênio disponível, mas o desafio é fazer com que os cilindros cheguem até as Unidades de Pronto Atendimento. “Esse é um planejamento que se altera diariamente, e há situações em que a gente precisa transferir um oxigênio de uma unidade de saúde para outra, é uma situação completamente inusitada que nós estamos vivendo por conta desse momento. Por isso é importante que as pessoas tenham claro a importância de seguir as medidas sanitárias”, disse.

A falta de outros insumos vitais em UTIs também é um problema. Nesta sexta-feira, 19, a Anvisa simplificou as regras para a venda de medicamentos para intubação, como anestésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares. Na prática, a autorização para a comercialização será realizada por meio de notificação, que permite a produção e a venda imediata aos hospitais de todo o Brasil, mesmo sem o registro sanitário. A Anvisa também simplificou as regras para que medicamentos já registrados pelo órgão possam ser modificados, desde que essas mudanças tenham o objetivo de aumentar a disponibilidade no mercado mantendo a qualidade, eficácia e segurança. Um relatório do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo já apontou o desabastecimento de medicamentos em hospitais no estado e a alta de preços.

Segundo o presidente da entidade, Marcos Machado, é dever do governo federal evitar uma catástrofe ainda maior. “Uma das soluções apontadas seria que o Ministério da Saúde encabeçasse isso, chamasse a responsabilidade para fazer uma licitação maior, talvez única, para que os preços pudessem cair. Isso seria uma alternativa muito interessante, mas é preciso que o Ministério da Saúde se relacione melhor com os outros gestores estaduais e municipais, para que isso possa ser conversado”, afirmou.

Após o Ministério da Saúde informar que pode requisitar medicamentos da indústria usados para intubar pacientes e destiná-los aos SUS, a Associação Nacional de Hospitais Privados afirmou que o estoque de algumas instituições pode acabar em até 48 horas. Em uma carta aberta que ainda deve ser lançada, a Anahp detalha a situação dos estoques e afirma que entende a preocupação do governo com o sistema público. Mas alerta para a situação também crítica nas instituições privadas e que a cadeia de suprimentos está sendo desorganizada.

* Com informações da repórter Letícia Santini