Uma análise da Sociedade Brasileira de Pediatria revelou que as taxas de infeção, internações e mortes por Covid-19 entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em 2021 ainda são menores em relação ao registrado ao longo do ano passado. A pesquisa foi baseada  em boletins epidemiológicos fornecidos pelo Ministério da Saúde. Em 2020, o grupo de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos representou 2,46% do total de hospitalizações e 0,62% de todas as mortes. Já neste ano, até o dia 1º de março, o percentual de internações de crianças e adolescentes era de 1,7% do total. Já os óbitos nesse grupo representaram 0,39% dos falecimentos registrados. Ao todo, a taxa de letalidade em crianças e adolescentes hospitalizados por problemas relacionados à Covid-19 foi de 8,2% em 2020, caindo para 5,8% em 2021. Segundo o infectologista da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, quando se considera apenas crianças menores de seis anos, os dados apontam, da mesma maneira, para uma redução até agora na proporção de hospitalizações e mortes, assim como taxas de letalidade mais baixas.

“O número total de casos, somente uma pequena parcela da população desses indivíduos afetados são crianças menores de cinco anos ou de seis anos. Essa mesma relação se mantém em 2021, tanto nos casos graves, que precisam de hospitalização, quanto nos óbitos. As crianças continuam respondendo por uma parcela muito pequena dos casos totais”, disse. Diante da atual crise vivida no Brasil, especialistas afirmam que o aumento no número de casos da doença em todos os grupos etários era esperado. Entretanto, não há evidência, que mostre um perfil mais grave da Covid-19 em crianças e adolescentes em 2021. De acordo com o infectologista Renato Kfouri, o fenômeno observado é justamente o inverso. “O que os números têm demonstrado, quando comparamos os primeiros dois meses de 2021, é que as crianças continuam sendo as menos atingidas. A porcentagem com que as crianças são acometidas, hospitalizadas e mortas, continua muito baixo. Há até uma tendência de queda na proporção”, afirmou. A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça a necessidade de novos estudos que confirmem a segurança das atuais vacinas em crianças e adolescentes e ressalta que a imunização desse grupo servirá não apenas para proteger as crianças e adolescentes de formas graves da doença, mas também para ajudar a controlar a transmissão do vírus na comunidade.

*Com informações da repórter Caterina Achutti