Aos 16 anos, o estudante Luccas Delgado foi pego de surpresa ao descobrir um câncer. Em maio do ano passado, ele foi ao hospital com o que pensou ser uma crise de apendicite, mas acabou recebendo o diagnóstico de linfoma de Burkitt, tipo de câncer que afeta os gânglios linfáticos. Desde então, Luccas já passou por nove sessões de quimioterapia. Ele conta que está na fase final do tratamento, mas ressalta a importância de manter os exames em dia. “Foi uma surpresa porque eu fui para o hospital fazer uma apendicite. Quando você é mais jovem ninguém desconfia de uma coisa dessas, porque ninguém acha que vai acontecer, embora aconteça muito”, disse.

Segundo o Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, são esperados cerca de 8.500 novos diagnósticos da doença em crianças e adolescentes entre 2020 e 2022. O diagnóstico precoce, no entanto, pode ajudar na cura de 84% desses casos. A oncopediatra do Itaci, Alessandra Prandini, explica que é preciso que as famílias fiquem atentas aos sinais. “Os sinais e sintomas dos cânceres infantis são parecidos com outras doenças, mas chamam atenção da família, normalmente de quem cuida dessa criança. Então ele vai ao serviço primário e vai chegar com essa queixa. A gente fala da palidez, aquela criança muito branquinha, muito plálida, a gente vai olhar na mucosa, dentro do olho, na boca. Aquela criança que tem manchas roxo em lugares que ela não vai bater, no tronco, no braço, em lugares que a gente sabe que são de crianças peraltas. O aumento da barriguinha”, sinaliza. Leucemia, tumores no sistema nervoso central e linfomas são os tipos de cânceres infantis e adolescentes mais comuns. Eles têm uma característica em comum: não são tão previsíveis como os cânceres mais frequentes em adultos, a exemplo do câncer de pulmão, que na maior parte dos casos, surge em decorrência do tabagismo.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini