Na sessão da  CPI da Covid-19 desta quinta-feira, 27, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) questionou o diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, sobre a eficácia da CoronaVac em idosos. Girão utilizou como o exemplo a morte do sambista Nelson Sargento, de 96 anos, que faleceu nesta quinta. O artista era matriculado no Instituto Nacional de Câncer (INCA) desde 2005, quando foi diagnosticado com um câncer de próstata. Mas, após se sentir mal com um quadro de “desidratação, anorexia e significativa queda do estado geral”, Nelson Sargento foi internado no INCA e testou positivo para a Covid-19. O sambista do Rio de Janeiro, porém, já havia recebido as duas doses da vacina contra a doença. O senador ainda citou o caso do ex-presidente José Sarney que, segundo o colunista Ricardo Noblat, do Metrópoles, mesmo após ter tomado as duas doses do imunizante, não produz anticorpos. “Na realidade, 98% é o índice de indução de anticorpos em pessoas idosas. Portanto, não é 100%. Pessoas idosas tem um fenômeno biológico chamado imunossenescência. Os idosos respondem menos na produção de anticorpos em relação aos indivíduos mais jovens. Por isso que não é 100% de soroconversão”, explicou Dimas Covas.

“A vacina não é uma proteção absoluta, não é escudo contra a doença e nem é um escudo contra a mortalidade. Ela é uma proteção relativa. Entram os fatores individuais das pessoas, as comorbidades, vários fatores. Primeiro que a vacina não protege contra a infecção. Ela protege contra as manifestações clínicas, principalmente as mais graves. O dado de 100% é referente ao estudo de fase 3 que foi feito. Aquele estudo foi 100%, ou seja, nenhum indivíduo do grupo de estudo que era formado por profissionais da saúde foram a óbito. Obviamente que os estudos de mundo real não é 100%, nós sabemos disso”, esclareceu o diretor. “A pessoa que se vacina está relativamente protegida, mas tem os fatores individuais que entram se ela eventualmente pegar a infecção, e esses fatores são preponderantes, inclusive, para determinação da gravidade”, afirmou. Dimas Covas ainda acrescentou que terão pessoas que não irão responder a vacina.