Era pouco mais de meio-dia e o movimento dos restaurantes na região da Avenida Paulista estava longe das expectativas para um almoço de Dia das Mães. Com mesas vazias no salão, o gerente Augusto Lopes apostou nas entregas por aplicativo. “Estamos acreditando em um movimento mais bem menor que em 2019, em questão até de proporcionalidade de espaço e tempo para trabalhar”, comenta. Devido ao aumento do número de entregadores nas ruas, o motoboy Bruno Vieira, fez apenas duas viagens no horário do almoço. “Um pouquinho mais fraco, mais calmo, tranquilo. Só que de noite é mais puxadinho. Delivery aumenta mais a demanda, todo mundo fica em casa, quer descansar, curte o dia inteiro e chega e quer descansar. Então pede um delivery e de noite as entregas são bem melhores.”

A baixa movimentação em uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo é um exemplo da crise econômica e sanitária provocada pela pandemia de Covid-19. Em outras cidades do país, como Belo Horizonte, por exemplo, o funcionamento de bares e restaurantes chegou a ser proibido na data mais lucrativa do setor. O gerente, Augusto Lopes, afirma que mesmo com a movimentação abaixo da expectativa, o fim de semana do Dia das Mães deste ano foi melhor se comparado com 2020, época que o faturamento estava restrito apenas ao sistema de delivery. “A exceção foi ontem [domingo] mesmo pelo Dia das Mães, estávamos atendendo muitas famílias, algumas famílias acredito que anteciparam a comemoração.”

De máscara e álcool em gel em mãos, a bailarina e mãe Zoreli Ramos fez uma pausa no passeio de bicicleta para comemorar a data com um almoço em família na área externa de um restaurante. “Foi muito bom porque fiquei em família, a gente ficou conversando, para mim é suficiente. A gente coloca a máscara, lava sempre as mãos, tem sempre o distanciamento social e a gente decide sair, a gente sente bem e não fica com medo o tempo todo”, disse. O setor de bares e restaurantes é um dos mais atingidos pela pandemia. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo, 350 mil estabelecimentos fecharam as portas no País nos 12 meses encerrados em abril. Cerca de 1 milhão de empregos foram finalizados nesse período.

*Com informações da repórter Lívia Fernanda