Uma pesquisa feita pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, aponta que 76% das empresas acreditam que a inteligência artificial tem alto impacto na competitividade dos negócios. A maioria também gostaria de inovar neste segmento, mas 24,7% relataram não ter qualquer ferramenta de inteligência artificial. Participaram do levantamento 164 empresas das áreas da indústria de transformação, tecnologia da informação e comunicação. Elas também foram questionados sobre quais áreas a aplicação da inteligência artificial seria mais relevante. A intenção da Embrapii foi mapear as necessidades para melhor direcionar recursos públicos destinados ao apoio tecnológico. O programa de fomento à inteligência artificial tem disponível R$ 70 milhões, um valor que pode ser maior, porque as empresas também entram com investimento. Em troca, ganham a infraestrutura e o conhecimento dos pesquisadores para desenvolver os projetos.

Carlos Eduardo Pereira, diretor de operação da Embrapii, explica que eles estão montando consórcios para buscar soluções em que mais de uma empresa possa se beneficiar. “A ideia é justamente identificar os desafios tecnológicos que existem nessas possibilidades de aplicações. Uma vez desenvolvidas, essas tecnologias podem atuar e ajudar em várias aplicações e juntas trabalharem nessas fases mais iniciais onde existe mais risco, inclusive, porque o produto ainda não está pronto. Por isso faz todo o sentido do mundo ter compartilhamento, pois as empresas compartilham os riscos e os custos”, explica Carlos. Gelson Campanatti é gerente de desenvolvimento de uma multinacional na área da saúde. Um dos projetos da empresa, apoiado pela Embrapii, é o centro virtual de operação para aparelhos de ressonância. “O objetivo desse projeto é que a gente consiga duplicar a qualidade dos scanners que são feitos, de uma ressonância que é feita aqui em São Paulo, nos grandes centros ou em qualquer lugar do mundo e que eu consiga, sem ter um técnico super especialista, ser capaz de fazer aquisições que antes eram impossíveis”, exemplifica Campanatti. Segundo ranking de 2020 da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, o Brasil ocupa hoje a 62 posição no Índice Global de Inovação – que abrange 131 países. Para muitas entidades, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pais está em colocação abaixo do potencial, de forma que mais políticas públicas são necessárias.

*Com informações da repórter da Carolina Abelin