Com 76 mil 490 novos casos confirmados da Covid-19 em apenas 24 horas, o Brasil já registra mais de 16 milhões de infectados. Ao todo, 448 mil 208 vidas foram interrompidas por complicações da doença, sendo que 1899 óbitos foram contabilizados em apenas um dia. Segundo o Ministério da Saúde, 14 milhões de brasileiros já estão curados. Especialistas não descartam, porém, uma terceira onda da pandemia. O médico infectologista, Carlos Starling, alerta que o cenário atual já é muito preocupante. “A estabilização em uma incidência extremamente elevada já é uma terceira onda. Não é qualquer país que tem essa incidência nesse momento. Nós temos um sistema de saúde fragilizado, cansado e com problemas de abastecimento no país como um todo e temos uma vacinação precária”, afirma o médico.

Carlos Starling ressalta que o governo federal deve mudar a postura neste momento e adotar medidas urgentes para que a catástrofe não seja ainda maior. “É fundamental primeiro que haja uma coerência do governo federal em relação ao momento em que nós estamos vivendo, ou seja, assumir a catastrófe, recomendar distanciamento, uso de máscaras, medidas higiênicas, evitar aglomerações e dar exemplo em relação a isso”, acrescenta. O médico infectologista também reforça que o sistema de saúde deve se preparar e aprender com os erros cometidos no início da pandemia. “Hoje temos um aprendizado muito grande. Eu acho que, nesse momento, nós temos condições de equipar e munir o sistema exatamente nos pontos em que ele foi mais frágil nesse período. Capacitar recursos humanos, preparar os estoques para não ter o colapso dos ‘kits de intubação’e oxigênio.”

Para enfrentar um possível cenário de agravamento da pandemia, o Hospital Israelita Albert Einstein está criando “alas adicionais para pré-internação e novos fluxos para o pronto-atendimento com o objetivo de aumentar o giro de leitos e abreviar o tempo de espera para acomodação dos pacientes”. Além destas ações, o Einstein planeja criar, em curto prazo, 60 novos leitos. Ao mesmo tempo, o hospital deve “preservar as consultas, exames, procedimentos e cirurgias, mas, dependendo da taxa de crescimento das internações pela Covid-19, também poderá haver impacto nas agendas”.

*Com informações da repórter Letícia Santini